Instituto Unibanco e D3e lançam relatório sobre formação de gestores escolares

Instituto Unibanco e D3e lançam relatório sobre formação de gestores escolares

14 de junho de 2021 Off Por Danielsuzumura
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Documento traz análises de experiências internacionais para contribuir para a construção de uma política nacional de desenvolvimento desses profissionais no Brasil 

O Instituto Unibanco e o Dados para um Debate Democrático na Educação (D3e) lançaram o relatório Desenvolvimento Profissional de Diretores Escolares: Análise das Experiências da África do Sul e do Canadá (Ontário) em webinário realizado no dia 9 de junho. O evento, com abertura de Mirela de Carvalho, gerente de Gestão do Conhecimento do Instituto Unibanco, e Antonio Bara Bresolin, diretor executivo do D3e, teve a apresentação de Lara Simielli, professora da FGV/EAESP e pesquisadora do D3e, e comentários de Ana Cristina Oliveira, Professora da UNIRIO; Anna Penido, especialista em educação; e Julia Sant’Anna, Secretária de Educação de Minas Gerais. A mediação ficou por conta de Paula Penko, coordenadora de Avaliação no Instituto Unibanco.

A publicação analisa experiências internacionais de formação de diretores escolares para identificar possibilidades de atuação e ampliação do repertório no Brasil, levando em consideração o contexto local. Estruturada em quatro seções, o relatório apresenta informações sobre o cenário nacional de desenvolvimento de gestores educacionais; a metodologia da análise; as características gerais e funcionamento dos sistemas de desenvolvimento de diretores na África do Sul e em Ontário, província do Canadá; e as recomendações para o Brasil, buscando contribuir para o debate sobre a formação de gestores e propondo adaptações, quando necessárias, ao contexto local.

Segundo o estudo, a estratégia para melhorar a formação dos diretores deve se concentrar em três pontos-chave: a relação entre a política educacional e a liderança escolar; o conteúdo e as características gerais dos programas de formação, incluindo currículos e experiências associadas de aprendizagem; e questões relativas à sua implementação.

“Com esse estudo, buscamos alertar para a importância da formação continuada como suporte ao processo de transição da sala de aula para cargos de gestão, além de apoiar a construção de uma política duradoura para melhoria da educação pública brasileira”, afirma Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco. Segundo ele, as lideranças escolares são fundamentais para contribuir para uma educação de qualidade para todas e todos os estudantes. “Sabemos que as ações lideradas por gestores eficazes diminuem a indisciplina, aumentam a frequência dos estudantes, melhoram a satisfação dos professores com seu trabalho e diminuem a rotatividade do corpo docente, gerando impactos positivos para todos os membros da comunidade escolar”, explica. 

Tanto no Canadá (Ontário) como na África do Sul, as políticas de desenvolvimento de diretores escolares contam com propostas para a formação inicial, de indução e continuada. No Brasil, no entanto, ainda não existe uma política nacional de desenvolvimento de diretores que leve em consideração estes três momentos da carreira do gestor. Dados do Censo Escolar da Educação Básica 2019 apontam que há uma falta de conteúdos curriculares e de formações focadas no preparo e na atuação desses gestores para o cargo. Hoje, 11,8% dos diretores de escolas não completaram o ensino superior e apenas um em cada dez tem formação específica, com no mínimo 80 horas, em gestão escolar.

“Temos uma conquista recente que é a aprovação da Matriz Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar pelo Conselho Nacional de Educação. Precisamos agora caminhar em direção à construção de uma política nacional de desenvolvimento desses profissionais”, diz Henriques.

“O relatório aponta que é fundamental articular políticas públicas de desenvolvimento para fortalecer o papel central que o diretor escolar tem, ao analisar exemplos de como isso foi feito em dois países com contextos distintos e que podem inspirar a melhoria do que já é feito e do está sendo aprimorado no Brasil”, finaliza Antonio Bara Bresolin, diretor executivo do D3e.

O material na íntegra está disponível no Observatório de Educação – Ensino Médio e Gestão: https://bit.ly/3x5CR39

Sobre o Instituto Unibanco

O Instituto Unibanco é uma instituição sem fins lucrativos que atua pela melhoria da qualidade da educação pública no Ensino Médio, por meio da gestão. Seu objetivo é contribuir para a permanência dos estudantes na escola, a melhoria da aprendizagem e a redução das desigualdades educacionais. Sua atuação é baseada em evidências valorizando a diversidade e acelerando transformações por meio da gestão. Fundado em 1982, integra o grupo de instituições responsáveis pelo investimento social privado do grupo Itaú-Unibanco. www.institutounibanco.org.br.

Sobre D3e – Dados para um Debate Democrático na Educação

Organização não governamental defensora do conhecimento técnico e científico como ponto essencial para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes na educação brasileira. Desde 2018, o D3e elabora relatórios que consolidam aprendizados sobre tópicos educacionais no Brasil e no mundo originados de pesquisas e artigos acadêmicos. Outra frente de trabalho tem a ver com a disseminação dos conteúdos qualificados para educadores, gestores públicos, membros da academia e da sociedade civil – a fim de enriquecer o debate educacional e influenciar positivamente a mudança do cenário no país. O grupo tem como fundadores David Plank, professor pesquisador da Escola de Educação da Universidade de Stanford (EUA) e codiretor do Centro Lemann, Felipe Braga, mestre em Análise e Administração de Políticas Educacionais Internacionais pela Universidade de Stanford (EUA), Robert Verhine, coordenador da área de Educação e membro titular do Conselho Técnico-Científico (CTC-ES) da CAPES e Senior Fellow do Centro Lemann para o Empreendedorismo e Inovação na Educação Brasileira, da Universidade de Stanford (EUA), e Sophia Lerche Vieira, professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e líder de projetos do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). www.d3e.com.br

Por Mariana Soares


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