Inteligência artificial agêntica ajuda executivos a desvendarem a revolução silenciosa dos dados

Por Rogério Escudero, head de SAP da Leega Consultoria*

Imagem/divulgação: Leega Estamos em um momento histórico na governança corporativa.

A convergência entre EPM (Enterprise Performance Management) e Inteligência Artificial Agêntica marca um divisor de águas na forma como entendemos liderança.

Após décadas de uso dos dados apenas como bússola, vivemos hoje a possibilidade de reinventar o próprio conceito de liderança orientada por informação.          

A gestão de desempenho corporativo sempre funcionou como ponte essencial entre estratégia e execução, em diferentes etapas de planejamento, no orçamento, previsões e análises de performance.

Por muito tempo, o EPM funcionou como um retrovisor que registrava o passado e sustentava a conformidade com processos rígidos e manuais.

Agora, trabalha em um ciclo contínuo, com a estratégia orientando ações e as ações alimentando ajustes em tempo real.          

Importante destacar, entretanto, que, nesse novo contexto, o executivo do futuro não será apenas um analista de planilhas.

Caberá a quem ocupar esse posto atuar como um maestro estratégico, capaz de reger agentes digitais que operam 24 horas por dia, identificando oportunidades invisíveis à concorrência.

Essa nova liderança abandona o modelo puramente data-driven e avança para o data-inspired, onde nasce o verdadeiro diferencial competitivo.

Se antes a pergunta era “atingimos as metas?”, atualmente a questão que define vencedores passa a ser:

“quais sinais fracos indicam mudanças de paradigma que meus concorrentes ainda não enxergam?”.  

Análises de mercado mostram que os grandes talentos das principais empresas ainda gastam até 45% do seu tempo em tarefas repetitivas e de baixo valor, como limpeza de dados, reconciliações manuais e relatórios estáticos.

Enquanto alguns ainda agendam reuniões para discutir problemas, o novo líder já implementou soluções.

Com os agentes autônomos encarregados de atividades operacionais, o talento humano pode se dedicar ao que realmente cria vantagens competitivas, como decisões estratégicas, inovação disruptiva e liderança mobilizadora.  

Os ganhos dessa transformação são profundos. Com a inteligência artificial, insights surgem em horas e não mais em meses.

As decisões são executadas em dias e superam concorrentes que ainda aguardam relatórios mensais. Assim, as organizações inovadoras deixam de reagir ao mercado e passam a antecipar movimentos.  

A inovação também muda de patamar.

Agentes digitais descobrem correlações antes inalcançáveis pela análise tradicional, desde tendências sociais conectadas a vendas reais, passando por padrões climáticos associados à cadeia de suprimentos, até o sentimento do consumidor alinhado a preços globais.

As empresas inteligentes deixam de seguir tendências e passam a criá-las. Assim, o risco corporativo ganha nova abordagem, e o monitoramento regulatório em tempo real evita multas bilionárias.

As análises de cenários globais antecipam crises e os líderes estão preparados para neutralizá-las na origem.  

O maior valor, contudo, está na realocação da genialidade humana. As máquinas passam a realizar a maior parte da carga analítica pesada.

O executivo foca no que define vencedores, ou seja, em interpretação estratégica, visão de futuro, ética empresarial e coragem para decidir sob incertezas.

A IA agêntica funciona simultaneamente como ferramenta e colega de trabalho. Como ferramenta, escala eficiência e como colaboradora, ela aprende, adapta-se, acumula experiência e amplia criatividade.

Quem compreende essa integração vence, e quem encara a tecnologia apenas como forma de cortar custos tende a se tornar irrelevante.  

Segundo a consultoria Mckinsey, 59% das organizações globais já possuem um roadmap robusto de implementação da GenAI, pautado pela criação de valor e viabilidade.

As empresas que ainda não iniciaram esse movimento caminham para perder espaço de mercado.  Não se trata mais de decidir se vale investir em EPM agêntico.

A verdadeira questão que definirá o futuro é: “posso aceitar ficar para trás enquanto concorrentes operam com velocidade, clareza e criatividade inéditas?”  

A liderança do futuro não administra apenas a realidade existente, mas cria oportunidades e novas realidades. As ferramentas já estão disponíveis e o potencial está aberto.

Resta a cada executivo decidir se está pronto para essa transformação.

* Rogério Escudero é especialista em gestão e consultoria em análise de negócios, gestão de contas e sucesso do cliente, arquitetura empresarial e da informação, estratégia e desempenho corporativo, inteligência de negócios, analytics, tecnologia e inovação de processos, PMO e gerenciamento de projetos.

Atualmente é head de SAP na Leega Consultoria.

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