IPO – Como empresas podem se preparar para entrar no mercado de capitais?

10 de agosto de 2022 Off Por Ray Santos
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Segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), apenas em janeiro, 13 empresas desistiram do IPO e outra teve o pedido cancelado

Muitas empresas brasileiras que tinham como intuito realizar IPOs neste ano deram passos atrás quando se depararam com um cenário desfavorável de inflação em alta, taxa básica de juros e eleições presidenciais.

Em 2021, a bolsa de valores brasileira encerrou o ano com 45 ofertas primárias e 26 ofertas secundárias, movimentando R$ 126, 9 bilhões.

A maior oferta primária ano passado foi da companhia produtora de açúcar e etanol e de distribuição de combustíveis e geração de energia, Raízen, que levantou R$6,7 bilhões. Já a maior oferta secundária foi da Vibra (ex-BR Distribuidora), que levantou R$ 11,35 bilhões.

Basicamente, o IPO – Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial) é o processo que marca a entrada de uma empresa na bolsa de valores e esse tipo de operação tem estado em alta ultimamente, mas é preciso adentrar nas complexidades que envolvem essa tomada de decisão por parte das organizações.

Carlos Moreira, com sua ampla experiência no mercado corporativo e como consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial atendendo empresas de diferentes modalidades e segmentos, traz algumas reflexões em torno de como preparar a empresa para o IPO.
 

Empresas entram no mercado de capitais por qual razão?

Há alguns motivos por trás da abertura de capital de um negócio e, dentre eles, podem ser destacados três: liquidez, acesso a capital, benefícios à imagem da empresa e ao preparar a empresa para o IPO é preciso considerá-las.

Liquidez

Iniciar uma oferta pública de ações pode ser uma maneira de proporcionar aos sócios da empresa uma oportunidade de repassar as suas ações a outros investidores, tendo retorno financeiro por elas.

Acesso a capital

O IPO também é compreendido como estratégia de captação de recursos, oferecendo uma participação na organização em troca de capital. Esse capital pode ser direcionado para o crescimento da empresa, seja por meio do investimento na própria infraestrutura ou até mesmo em aquisições de outras companhias (em caso de oferta primária).

Imagem da empresa

A abertura de capital envolve a execução de uma série de requisitos, dentre eles, adotar uma postura de transparência quanto às suas operações, o que está intimamente ligado aos fatores da efetiva implantação de um sistema de governança corporativa e, hoje, para ser mais atrativo, a implantação do ESG com certificação. A empresa se torna ainda mais visível ao público e à mídia, o que pode impulsionar no alcance de maior credibilidade, resultando em melhor preço por ação no IPO.

Quais são os tipos de IPO?

Oferta primária – Neste tipo de oferta, novas ações são emitidas pela empresa para circularem no mercado. A própria organização emite e vende as suas ações e o capital obtido com essa oferta volta para o seu caixa, o que pode ser uma fonte de recursos para investimento em expansão.

Oferta secundária – Já aqui, quem vende as ações são os gestores ou os sócios da empresa. A oferta é de ações já existentes. Isso quer dizer que os recursos captados não serão destinados à organização, mas aos acionistas/cotistas como retorno pela venda de suas ações da empresa.
 

Preparar a empresa para o IPO envolve estudo de mercado e boa leitura da realidade

No início deste ano, após bater recorde em 2021, o número de empresas interessadas em abrir capital na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) diminuiu. Segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), apenas em janeiro, 13 empresas desistiram do IPO e outra teve o pedido cancelado.

Especialistas apontaram que o recorde de desistências é fruto da mudança das condições do mercado de capitais. Existia um otimismo no início de 2021 que permitiu o crescimento de IPOs. Mas em 2022, o ambiente se tornou ainda mais complexo devido a uma fraca perspectiva de crescimento econômico e às eleições presidenciais.

Preparar a empresa para o IPO envolve uma série de complexidades, afinal, abrir o capital é uma das decisões mais importantes para qualquer organização.

Ao fazer o IPO, uma empresa assume uma grande responsabilidade diante de seus acionistas e do mercado de forma geral, o que a obriga a um posicionamento de prestação de contas, expondo os seus resultados financeiros e operacionais em cada trimestre.

Ao mesmo tempo em que pode ser uma baita oportunidade para a empresa, realizar o IPO também a expõe e, se a empresa não estiver em boa fase de maturidade, tomar essa decisão, além de mostrar as suas vulnerabilidades, pode prejudicar a sua imagem e posicionamento no mercado.

Cícero Rocha, presidente no Instituto Empresariar, destacou que quando se trata de empresas familiares, dentre as vantagens que o IPO pode trazer estão os aspectos relacionados à governança, equidade, responsabilidade e, principalmente, transparência, já que são elementos que permitirão à família encaminhar a gestão futura de forma muito mais profissional.
 

O que considerar antes de abrir capital?

Antes de tudo, acredito que o mais importante em um primeiro momento é compreender qual a fase que a sua empresa está vivendo. A abertura de capital é uma decisão quando a empresa deseja captar recursos e, diante deste objetivo, vale considerar se essa é a melhor opção para o financiamento do negócio.

É sempre recomendado que a organização avalie qual é o valor do investimento que pretende realizar e, depois disso, é preciso analisar todas as opções de captação de recursos, conseguindo identificar qual a mais apropriada para o negócio.

Realizar um diagnóstico interno é outra ação imprescindível quando a organização decide abrir capital. Nessa análise será necessário identificar se a empresa de fato está preparada para o compromisso com novos acionistas e se está pronta para iniciar um mecanismo de controle e gestão.

Depois disso, decidindo fazer o IPO, será fundamental definir o mercado em que a organização deseja negociar as suas ações, como: Bovespa Mais; Bovespa Mais Nível 2; Novo Mercado; Nível 2; Nível 1; Básico, BDR Patrocinado e BDR Não Patrocinado.

O processo de abertura de capital geralmente é realizado em aproximadamente dez semanas. Muitas empresas optam por ter o apoio de um consultor ou mentor empresarial para ajudá-las a tomar a melhor decisão e no caso da opção pela abertura de capitais, ter o apoio de um profissional experiente pode tornar o processo muito mais tranquilo.

Se a sua organização atingiu um bom nível de maturidade e deseja realizar o IPO, por que não?

Por Daiana Barasa


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