Jornada longa e desemprego: o impacto da pandemia na vida das mulheres

Jornada longa e desemprego: o impacto da pandemia na vida das mulheres

12 de abril de 2021 Off Por Danielsuzumura
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Pesquisa mostra que 30% delas pensam em deixar o emprego pelo acúmulo de estresse do trabalho remoto

A Covid-19 foi desastrosa na vida de todas as pessoas: com mais de um ano de isolamento social e a demora no calendário de vacinação, milhares de brasileiros foram afetados, tanto pela crise econômica, quanto pela perda de trabalho. No entanto, ainda que o vírus não faça a escolha por quem atingir, as mulheres foram impactadas de forma mais assídua pelo vírus.

Esta constatação não é feita pelo número de óbitos ou casos confirmados em mulheres – afinal, o vírus não é mais ou menos provável no gênero feminino –, mas, sim, pelo impacto que ele gerou na vida delas: desde o aumento da violência doméstica até o desemprego e a sustentação da família.

Uma jornada ainda mais longa

Com a pandemia e o home office, a vida ficou mais fácil para boa parte das pessoas. Para outras, nem tanto: as mulheres, por exemplo, tiveram de lidar com uma jornada tripla desgastante. Isso ficou ainda mais evidente para as mães, que alternam entre o trabalho formal de oito horas, os serviços da casa e as obrigações como responsáveis pelas crianças.

A sensação de desgaste é ainda maior quando o home office ultrapassa o horário preestabelecido pela empresa, seja com mensagens e pedidos fora do horário ou com acúmulo de trabalho. E o resultado da quantidade estressante de trabalho para elas terá um preço caro no futuro: cerca de 30% das mulheres podem pedir demissão por causa do estresse gerado pelo trabalho remoto, segundo pesquisa da Kearney, consultoria global de gestão estratégica. 

Entre as reclamações mais frequentes estão o pouco acesso a bons líderes, as poucas oportunidades de construção de carreira e os danos à saúde física e mental relacionados ao estresse. A porcentagem de mulheres que responderam à pesquisa destacando dificuldade em gerir o trabalho é alarmante: 42% delas apontam que o volume de serviço é além do que conseguem administrar. Entre as que trabalham em home office desde o início da pandemia, 5% também afirmam que houve aumento na carga horária de pelo menos três horas.

Outra reclamação bastante frequente é o destaque de vagas e oportunidades que não ofereceram benefícios corporativos durante a pandemia, tais como ajuda de custo para o pagamento da internet e da conta de luz.

O desemprego também é maior entre elas

De acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a porcentagem de mulheres desempregadas também é superior a dos homens. No quarto trimestre de 2020, a taxa de desemprego era de 9,2% para o gênero masculino, em contraste com 13,1% para o gênero feminino. 

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