Maioria dos docentes da rede pública recomendaria a profissão aos jovens, mas 74% dizem que carreira não é valorizada pela sociedade

29 de abril de 2022 Off Por Ray Santos
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  • Informações são de pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido da Fundação Lemann, com mais de mil profissionais das redes públicas de todo o país;
  • Em uma escala de 0 a 10, recomendação da carreira de professor para um jovem teve média de 7,1 para 50% dos docentes, enquanto 23% deles deram nota de 9 a 10 para recomendação;
  • Profissionais também concordam, ao menos parcialmente, que a formação inicial os preparou para dar e desenvolver aulas, elaborar avaliações e gerir a sala de aula, mas não para usar tecnologias educacionais

Abril de 2022 – Nesta quinta-feira, 28 de abril, o país celebra o Dia da Educação, depois de dois anos letivos com escolas fechadas por causa da pandemia e, agora, expondo as consequências deste período para alunas e alunos de todas as regiões. Na sala de aula, o trabalho das professoras e dos professores é essencial para reverter esse cenário, mas a grande maioria deles se sentem desvalorizados pela sociedade e dizem que falta equilíbrio à rotina diária. 

A pesquisa Datafolha “Percepção dos Professores sobre Educação”, realizada a pedido da Fundação Lemann, com mais de mil docentes de todas as regiões do país, mostrou que 74% dos docentes consideram que a profissão não é valorizada pelos brasileiros e 41% dizem que a rotina não é equilibrada. Porém, 97% dizem que gostam de ser professores e 91% se sentem preparados para os desafios em sala de aula. 

Ao serem perguntados sobre quais mudanças fariam se fossem secretários de educação, 64% responderam “valorização profissional”, seguido de “melhoria de infraestrutura” (40%) e “capacitação/formação” (28%). Apesar disso, os docentes afirmaram que indicariam a profissão aos jovens: em uma escala de 0 a 10, a recomendação da carreira de professor para um jovem teve média de 7,1 para 50% dos profissionais, enquanto 23% deles deram nota de 9 a 10.

“As professoras e professores são essenciais na educação e têm um desafio ainda maior, atualmente, na recomposição da aprendizagem depois de dois anos de escolas fechadas. Neste Dia da Educação é fundamental que a população celebre esses profissionais, cujos esforços e dedicação na pandemia foram percebidos pelas famílias em geral. Em uma pesquisa que fizemos em parceria com Itaú Social, Fundação Lemann e BID, 89% dos pais e responsáveis reconheciam a importância dos docentes e diziam que têm um trabalho que exige mais preparo do que imaginavam antes da pandemia”, diz Daniel de Bonis, diretor de projetos da Fundação Lemann.   

Escolha da profissão 

Na pesquisa “Percepção dos Professores sobre Educação”, a maioria deles disse que a docência foi a primeira opção de carreira (58%), sendo que 36% a escolheram pela satisfação em ensinar, 19% por gostar do trabalho com crianças e jovens e 12% para ter um emprego mais estável. Apenas 10% responderam por ter facilidade em fazer uma faculdade e 10% por falta de outras opções.

 Outro dado importante demonstrado é a falta de preparo, na formação inicial, para dar conta das novas tecnologias educacionais: 54% disseram não terem tido essa capacitação. 

Conectividade x docentes 

A pesquisa revelou também que 98% dos docentes concordam que é imprescindível, nesse momento de volta às aulas, ter escolas conectadas à internet e 93% disseram que deve ser uma das prioridades para uma boa infraestrutura escolar. Eles também afirmaram que a conexão à internet torna a escola mais atraente para os estudantes (96%).

Mesmo com a evidente importância de conectar as escolas, a pesquisa com professores mostra que 15% deles continuam sem acesso à internet na escola em que trabalham. E, apesar de 85% deles estarem conectados, apenas 22% consideram que a velocidade da rede é adequada para o ensino híbrido. Essa situação melhorou se compararmos com o cenário de outubro de 2020 mostrado por outra pesquisa Datafolha, encomendada pela Fundação Lemann, quando 71% dos professores disseram que possuíam internet e 16% a consideravam adequada, respectivamente.

Atualmente, os docentes se sentem mais à vontade com o uso da internet: 47% dizem estar muito preparados para usar tecnologia em aulas presenciais. Esse número aumentou 8 pontos percentuais em relação a outubro de 2020 (39%).

Sobre a Fundação Lemann

A Fundação Lemann acredita que um Brasil feito por todos e para todos é um Brasil que acredita no seu maior potencial: gente. Isso só acontece com educação de qualidade e com o apoio a pessoas que querem resolver os grandes desafios sociais do país. Nós realizamos projetos ao lado de professores, gestores escolares, secretarias de educação e governos por uma aprendizagem de qualidade. Também apoiamos centenas de talentos, lideranças e organizações que trabalham pela transformação social. Tudo para ajudar a construir um país mais justo, inclusivo e avançado.

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