O que existe por trás das demissões em massa

11 de agosto de 2022 Off Por Ray Santos
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Especialista fala sobre a onda que abala, principalmente, o Setor de Tecnologia

A cada semana é possível ver nas redes sociais uma verdadeira onda de demissões em massa em diversas empresas, principalmente aquelas ligadas à tecnologia. Os motivos pelos quais isso vem acontecendo, segundo Caio Infante, vice-presidente regional (LATAM) da Radancy e um dos co-fundadores da Employer Branding Brasil, vão desde os salários inflacionados dos profissionais do segmento até a real empregabilidade destes colaboradores. “Acredito que existe, hoje, uma maior competição entre estes profissionais, uma vez que não existem tantas ofertas de trabalho no mercado. Acaba ficando empregado quem tem uma maior empregabilidade. Para sobreviver a esse tsunami é preciso mais que capacidade técnica – é preciso ter um verdadeiro legado profissional em construção. É preciso entregar com excelência no dia a dia. E é preciso ter uma visão a longo prazo”, afirma Caio.

A questão financeira também está sendo levada em conta pelas empresas, e aqui a reflexão cabe para qualquer área de atuação ou porte. Os profissionais pouco experientes com altas remunerações terão mais dificuldades agora com esta nova onda por conta de um ajuste de realidade que está ocorrendo. “É hora de rever as expectativas em todos os sentidos. No Brasil, precisamos levar em conta, também, a conjuntura econômica que estamos vivendo – os investidores estão se arriscando menos e, consequentemente, investindo menos ou avaliando melhor os riscos. Agora é hora de saber fazer o dinheiro durar mais tempo, uma vez que as empresas estão congelando novas contratações e enxugando seus quadros de funcionários”, alerta Caio.

O especialista também levanta uma questão importante diante dessa nova situação que estamos vivendo: como fica a imagem das empresas que fazem demissões em massa, muitas vezes abrindo mão de profissionais que foram retirados de seus empregos para estar nesse novo desafio e são demitidos poucos meses depois. “Não tem como não falar de marca empregadora nesses casos, afinal, como fica a imagem da empresa nesse cenário? Como fica a vida do colaborador que aceitou um novo desafio ali, abrindo mão, muitas vezes, da estabilidade de um emprego anterior, e agora se vê sem emprego depois de poucos meses de contratado? Vidas são impactadas negativamente nestes casos e isso é uma coisa muito séria para se pensar”, avalia Caio. “A imagem da empresa que faz uma demissão em massa também fica comprometida com o mercado, com parceiros, fornecedores, futuros colaboradores e, principalmente, investidores. O preço a pagar no futuro pode ser muito caro, portanto, é preciso avaliar se não existe outra saída menos arriscada antes de sair desligando gente a rodo”, completa o especialista. “Demissão em massa representa falta de planejamento e organização diante do mercado”, completa.

Para quem foi demitido nessa situação em massa, a dica do especialista é aproveitar o momento para refletir e rever desejos e objetivos a curto, médio e longo prazo. “Acho que a dica de ouro para quem está passando por isso é rever suas habilidades, pensar fora da caixa e considerar desafios antes não levados em consideração. Sair de uma tech e trabalhar em uma empresa convencional, por exemplo, pode ser uma boa alternativa”, finaliza Caio.

Sobre Caio Infante

Caio Infante é formado em Publicidade e Propaganda pela ESPM e possui MBA em Gestão Internacional pela University of Technology, em Sidney, na Austrália. Com carreira profissional desenvolvida na área de Negócios em agências de propaganda do País e do exterior, atuou, também, no site Trabalhando.com como diretor Comercial e de Marketing, chegando a Country Manager da operação. Desde o início de 2017, Caio está na Radancy, onde seu conhecimento sobre marca empregadora cresceu exponencialmente. Hoje, ocupa o cargo de vice-presidente regional da agência, mantendo contato com alguns dos maiores nomes mundiais do tema.

Caio Infante também é um dos co-fundadores da Employer Branding Brasil, a maior comunidade sobre marcas empregadoras, com mais de 40 mil seguidores nas redes sociais.

Por Ana Paula Ruiz


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