Por alegações de trabalho forçado, EUA pode anunciar sobretaxa de 12,5% ao Brasil

Certas mercadorias brasileiras passaram a receber taxa de 25% nesta quarta-feira (22)

Mariana Viana – 22/07/2026 – 08:44

Um dos locais onde trabalhadores foram encontrados sob regime análogo à escravidão. (Foto: Divulgação/MPT-MS)

Uma nova taxa de 12,5% contra os produtos brasileiros pode começar nesta sexta-feira (24). Os EUA (Estados Unidos da América) alegam que o Brasil e outras nações são ineficientes no combate ao trabalho forçado. A tarifa de 25% passou a valer nesta quarta-feira (22).

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer afirmou que a cobrança atingirá 60 economias, que são origem de 99% das importações do país. A determinação será universal, sem isenções e deve iniciar no da 24.

Os EUA submetem produtos a uma cobrança temporária de 10%. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa afirmou que a cobrança deve ir para todas as mercadorias. “Vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão”, afirma.

O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) publicou relatório que aponta indícios de trabalho forçado no Brasil. O governo norte-americano afirma que a prática fez com que as importações de carne brasileira sejam dobradas na última década.

Taxa de 25%

A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos contra as mercadorias brasileiras começa nesta quarta-feira (22). Os produtos em trânsito só serão tarifados se desembarcarem após o dia 29. A medida recomendada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) teve sua imposição decidida na última quarta-feira (15).

O USTR justificou as cobranças por “práticas desleais” do governo brasileiro, como as ordens da Justiça brasileira contra remoção de conteúdos das redes sociais dos EUA e a expansão do Pix. Outros motivos também seriam as falhas no combate ao desmatamento, ao crime organizado, ao trabalho forçado e à corrupção.

A Amcham Brasil, grupo que reúne empresas norte-americanas e brasileiras que fazem negócios bilaterais, afirma que o prejuízo pode ser de até US$ 11 bilhões, o que afeta cerca de 3 mil produtos. Já o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) afirma que as tarifas podem causar um prejuízo de US$ 7,4 bilhões, baseado nas importações de 2024.

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