Presidente de Conselho de Reitores destaca investimentos do Estado na ciência e tecnologia

13 de março de 2022 Off Por Ray Santos
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Entrevista Paulo Massaharu Yafusso 13/março/2022 5:16 am Portal do Governo de Mato Grosso do Sul

Para a reitora do Instituto Federal de MS, Elaine Cassiano, atual dirigente do Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior, Mato Grosso do Sul é um dos poucos estados que priorizam ações de fomento ao ensino, pesquisa e inovação tecnológica

Todo processo de desenvolvimento econômico e social passa hoje pela ciência, tecnologia e inovação, o que justificaria a destinação de maior volume de recursos ao fomento do ensino e da pesquisa, destaca a presidente do Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS), Elaine Cassiano, reitora do Instituto Federal de MS (IFMS). Segundo ela, para a sociedade se beneficiar dos avanços tecnológicos, é preciso não apenas uma ação forte do governo, como acontece no Estado, onde há investimentos e ações importantes, mas também a participação da iniciativa privada no desenvolvimento do ensino e da pesquisa.

A reitora não vê sentido relegar a ciência num momento em que a tecnologia é hoje o principal condutor do progresso e da integração social, econômica e cultural.

Elaine Cassiano diz que Mato Grosso do Sul, diferentemente da maior parte dos estados e do governo federal, busca ampliar os investimentos e parcerias com as universidades.

As iniciativas do poder público têm sido fundamentais para os avanços, segundo ela.

A seu ver, MS é um Estado privilegiado, por ter um governo focado na ciência, com importantes centros de pesquisa nas áreas da agricultura, pecuária e biodiversidade. 

Outro ponto destacado pela reitora do IFMS é o investimento permanente do Governo do Estado na produção de conhecimento científico, por meio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia), que passou de um orçamento de R$ 28,6 milhões para R$ 44,3 milhões nos últimos cinco anos.

Para a presidente do CRIE-MS, a busca pelo desenvolvimento econômico e social tem ensinado que este caminho tem como pontos fundamentais a ciência, a tecnologia e a inovação.

Considera que a iniciativa privada deveria investir mais em inovação e vê que hoje a capacitação científica tem sido um bem público, de grande alcance social, mas com poucos investimentos privados.

Daí a importância das parcerias, com o governo e empresas bancando os custos do ensino e da pesquisa.

Em Mato Grosso do Sul, além do orçamento anual de R$ 44,3 milhões em 2022, o Governo do Estado lançou o programa MS +Ciência, por meio da Fundect, que prevê a destinação de R$ 30 milhões.

O programa prevê chamadas para bolsas de pós-graduação (consolidados e profissionais), Inovatec e edital de inovação para a indústria; assinou convênio com o Sebrae-MS e Fundação Chapadão e Fundação MS, Termo de Cooperação e Apoio à Piscicultura com a Universidade Estadual (UEMS) e Embrapa-Pantanal.

Confira entrevista com a presidente do Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul, Elaine Cassiano:

Pergunta – No plano federal sabemos que houve nos últimos dois anos um corte substancial no orçamento público destinado às ações de desenvolvimento da ciência, ensino e pesquisa.

Por outro lado, no entanto, parcerias público-privada e alocação de recursos de outras fontes para programas regionais, como o MS +Ciência, lançado em dezembro do ano passado, preenchem essas lacunas de investimentos.

Como o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul avalia essas parcerias? Elas têm o alcance esperado?

Reitora Elaine Cassiano – Nós tivemos, nos últimos dois anos, um corte substancial no orçamento público do governo federal.

Suprimos essa lacuna pela Fundect, que é subsidiada pelo Governo do Estado e que tem ajudado muito para a continuidade da pesquisa dentro da universidade e do Instituto Federal.

A Fundect tem sido muito parceira. E o Governo do Estado muito mais, não só no apoio à pesquisa, mas também na pavimentação das estradas de acesso aos campi.

Nós temos uma gratidão muito grande por esse olhar de cuidado com o nosso estudante.

O governo é um parceiro fundamental nessa empreitada de fazer educação pública, gratuita e de qualidade, mesmo com o orçamento diminuindo desde 2019.

Pergunta – No conjunto das ações, a srª acredita que as parcerias podem atender as demandas do ensino, pesquisa e inovação ou é necessária participação mais forte do poder público?

Reitora Elaine Cassiano – Eu entendo que só o poder público pode subsidiar a pesquisa que vai ajudar no desenvolvimento do Estado e do país. A iniciativa privada ainda não tem a cultura de apoiar os projetos de inovação.

Mas, no governo, este assunto já é debatido e instituído, de forma que o próprio Estado tem ajudado a abrir a mente dos empresários para que entendam que as instituições de ensino são a porta de entrada para as inovações, que eles não conseguem desenvolver em suas empresas.

Algumas empresas têm a pesquisa e o desenvolvimento muito atuante, mas isso com um investimento muito alto.

Então, por que não utilizar as instituições de ensino como instrumento para desenvolver novos produtos, novos serviços, dentro dos nossos laboratórios.

O papel do Governo do Estado é esse, de disseminar que a inovação é importante, para que ela seja disruptiva e para que a empresa consiga agregar valor ao seu produto, melhorando o atendimento ao consumidor. No IFMS, nós somos capazes e estamos intermediando isso.

Nossos laboratórios são públicos e podem ser utilizados pela comunidade.

Pergunta –  Em Mato Grosso do Sul o Governo do Estado está respondendo às demandas e dando a devida atenção à ciência e ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa?

Reitora Elaine Cassiano – O Governo do Estado é um dos melhores do Brasil, pelo que tenho presenciado. Nós temos o Conif [Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica], composto por instituições federais de ensino.

Não vemos no conselho relatos sobre governos tão atuantes como o de Mato Grosso do Sul.

Me arrisco a dizer que estamos entre os três melhores. Por exemplo, o Governo do Estado tem olhado para a ciência, para a pesquisa, para outras questões de ensino, que alguns gestores estaduais e municipais não olham.

Em alguns municípios, que não têm transporte público, é o governo que apoia os estudantes, dando condições para que eles cheguem ao Instituto Federal.

Nós precisamos de mais atitudes e mais trabalhos assim em todo o país.

Pergunta – Como a srª vê a produção científica no âmbito das instituições de ensino superior de Mato Grosso do Sul?

Reitora Elaine Cassiano – Posso falar dos Institutos Federais, pois a nossa pesquisa é, em sua maioria, aplicada.

Nós temos melhorado bastante a produção científica. E entendo produção científica como tudo o que aquela pesquisa pode dar de resultados. Atualmente, nas feiras e eventos científicos, nós estamos sempre entre os dez primeiros, em premiações nacionais e internacionais.

As instituições federais de ensino têm produzido inovações para patentes e tem reconhecimento de produtos.

São diversas formas de mostrar a grandiosidade dessa produção científica.

Pergunta – Qual a sua perspectiva sobre o futuro da ciência e da pesquisa em nosso Estado, considerando as demandas da iniciativa privada, como a indústria e os diversos elos das cadeias produtivas da agropecuária e setor de serviços, e as demandas naturais, considerando a biodiversidade de Mato Grosso do Sul?

Reitora Elaine Cassiano – Somos um Estado pujante em inteligência e quanto mais instrumentos e mecanismos criamos para incentivar a pesquisa, mais isso se expressará em resultados.

Acredito em nossos jovens pesquisadores e sei que o trabalho deles, com o apoio do Governo do Estado, com os programas de bolsas que ofertamos e os editais de incentivo à pesquisa, vão transformar para melhor a vida de muitas pessoas.

A parceria com o setor privado precisa ser fomentada, para que eles entendam as instituições de ensino como parceiras na inovação.

Temos uma biodiversidade fantástica, recursos naturais de valor inestimável, só a pesquisa, a ciência e o olhar disruptivo podem assegurar o uso adequado dessas riquezas de forma sustentável.

Edmir Conceição, Subcom


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