Produtor adere a ferramentas digitais, mas relação interpessoal ainda é prioridade

20 de setembro de 2022 Off Por Ray Santos
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O produtor rural reconhece os ganhos incorporados pela tecnologia no seu dia a dia, mas ainda é nas relações interpessoais que está o foco de seus negócios e busca por informação. A necessidade de coexistência de diferentes formas de comunicação entre produtores, fornecedores e clientes foi a tônica de um dos debates da 2ª Jornada Técnica da RTC, em Gramado (RS).

Pesquisadora da Universidade de Illinois (EUA), a jornalista Joana Colussi apresentou, na quinta-feira (15/9), em primeira mão dados de pesquisa realizada com 461 produtores de soja do Brasil e 340 nos Estados Unidos. O estudo mediu a influência da comunicação na tomada de decisão dos produtores brasileiros e americanos ao aderirem a novas tecnologias digitais. O estudo comparativo constatou diferenças e semelhanças entre os dois principais produtores e exportadores mundiais de soja.

Em relação à compra de insumos e comercialização da produção, o WhatsApp apareceu como a rede mais influente no Brasil. Nos EUA, websites e televisão foram indicados como os mais relevantes. “Constatamos também uma relevância maior dos meios de massa nos EUA do que no Brasil, onde as relações interpessoais e as mídias sociais vêm ganhando importância”, frisou Joana.

Ela também citou a necessidade de observar as diferenças e peculiaridades na hora de elaborar estratégias voltadas à inovação na agricultura. “Empresas devem se concentrar no papel vital da comunicação na divulgação das novas tecnologias porque conhecimento e informação são decisivos em seu processo de adoção”, pontuou a pesquisadora.

No mesmo sentido, o empresário e co-criador da Plataforma AAA Artur Igreja reforçou o papel da inovação no campo, mas lembrou que novas tendências precisam simplificar o dia a dia da produção. Segundo ele, é preciso terminar com a ideia de que uma tecnologia se sobrepõe a outra. “Essa é uma visão estreita. Ser mais digital, não quer dizer que vamos fazer menos eventos no futuro”, exemplificou.

Igreja propôs que os produtores sejam capazes de renovar seus processos, usar novas interfaces e estreitar relações interpessoais. “Inovação é quando se obtém ganho de fato. Só mudar a interface não é inovação”. Nesse sentido, propôs a busca de alternativas criativas que descompliquem o dia a dia dos clientes, citando os ganhos obtidos por empresas que mudaram sua forma de relacionamento ou que, mesmo não sendo nativas da era digital, se reinventaram aliando o analógico e o digital. O segredo da inovação, alega ele, está na escuta do cliente. E isso, continuou, as cooperativas têm como trunfo, uma vez que operam em um sistema altamente colaborativo.

Crédito das fotos: Carolina Jardine

Jardine Agência Com,.


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