Reflorestamento comercial reduz CO2 e ganha destaque no planejamento ambiental brasileiro
Foto: IBF

Reflorestamento comercial reduz CO2 e ganha destaque no planejamento ambiental brasileiro

13 de junho de 2024 Off Por Marco Murilo Oliveira
Compartilhar

Brasil registrou três lançamentos importantes para o setor florestal em 2024 e mudança na lei favorece a prática de florestas plantadas, que é capaz de sequestrar dióxido de carbono e aliviar pressão nas matas nativas

O reflorestamento comercial é uma atividade da silvicultura que tem crescido mundialmente, e segundo especialistas, contribui para a redução do CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera, a medida em que a planta realiza fotossíntese. A prática consiste no plantio de árvores com objetivos de cortá-las ao final do ciclo de crescimento e destinar o material à indústria, sem precisar desmatar áreas nativas para obter matéria-prima.

A capacidade de armazenamento de CO2 depende da espécie e do porte da árvore. Para ter uma referência, um estudo realizado pelo Instituto Totum e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo em parceria com a Fundação SOS 

Mata Atlântica, mostra que cada árvore nativa da mata atlântica capta 163,14 kg de CO2 ao longo de seus primeiros 20 anos. 

Segundo a engenheira ambiental do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), Márcia Sorreque, “As florestas absorvem bastante CO2 através da fotossíntese. No Polo Florestal de Mogno Africano gerenciado pelo IBF, mantemos atualmente 24 fazendas para reflorestamento 100% comercial. Cada fazenda possui características particulares. Há locais que já foram utilizados para atividades de pecuária e plantio, e outros que nunca foram usados pelo ser humano”.

O Mogno Africano é uma árvore exótica, considerada de rápido crescimento e alto valor comercial, com um ciclo de cultivo entre 17 a 20 anos.

Durante este período, as árvores plantadas contribuem para a captura de CO², enquanto o seu corte e replantio contínuo oferecem uma alternativa sustentável à exploração de florestas nativas. 

No planeta há várias fontes emissoras de CO², entre elas: a queima de combustíveis fósseis para produção de materiais e energia, desmatamento e queimadas ilegais. O crescimento da emissão contribui para o efeito estufa, caracterizado pelo aumento da temperatura na terra decorrente da retenção de calor dentro da atmosfera do planeta, influenciando em mudanças climáticas, que já vêm sendo registradas. Márcia explica como as florestas ajudam a equilibrar o sistema, “ao realizar fotossíntese a árvore retira o CO2 da atmosfera, o oxigênio é liberado, mas o carbono é estocado nas árvores para promover o crescimento de seus troncos e galhos. Esse processo acontece durante a fase de crescimento da planta”.

Diante dos benefícios, a relevância do setor está na mira do governo brasileiro, tendo em vista que neste ano três lançamentos foram destinados à atividade agroindustrial. O Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas foi atualizado em 2024 com adequações para as estratégias que visam contribuir com o desenvolvimento da cadeia de florestas plantadas no país. Segundo o documento, o Brasil possui 10 milhões de hectares de florestas plantadas com área de vegetação conservada de 6 milhões de hectares. Entre os principais pontos destacados no diagnóstico florestal brasileiro apresentado está a liderança do setor na proteção de áreas naturais, levando em conta os mais de 6 milhões de hectares conservados que se dividem em 4,75 milhões de hectares de Reserva Legal (RL) e 1,89 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP).  

O documento pontua a contribuição do ramo de florestas plantadas com a meta estabelecida pela NDC brasileira de 2015 de reduzir em 43% até 2030 os Gases do Efeito Estufa (GEE), em relação aos níveis emitidos em 2005. A atividade faz parte do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC Mais), do Ministério da Agricultura e Pecuária, que propõe sete programas: Recuperação de Pastagens Degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e Sistemas Agroflorestais; Sistema Plantio Direto; Fixação Biológica de Nitrogênio; Florestas Plantadas; Tratamento de Dejetos Animais; Adaptação às Mudanças Climáticas.

Também foram lançados a Chamada Pública para Projetos Florestais e o Painel Floresta + Sustentável, uma ferramenta que disponibiliza dados sobre o setor florestal brasileiro. Outro reflexo da importância do reflorestamento comercial e seu destaque econômico e ambiental é a decisão do Governo Federal tomada no início de junho/2024 em excluir a silvicultura como atividade poluidora e utilizadora de recursos ambientais. A Lei 14.876 aprovada no Congresso Nacional desconsidera a necessidade de pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA) e simplifica o licenciamento ambiental para plantio de florestas comerciais.

O Instituto Brasileiro de Florestas é um exemplo da prática para fins comerciais. O Polo Florestal de Mogno Africano está localizado em Pompéu, Minas Gerais, e conta com 4,4 mil hectares de áreas sob gestão. A espécie, considerada exótica, é responsável por produzir madeira nobre com alto valor agregado. O ciclo da planta gira em torno de 17 a 20 anos. Isso significa que, ao longo de seu crescimento, até ser cortada para comercialização, a árvore será capaz de contribuir para a redução do dióxido de carbono da atmosfera, ao mesmo tempo em que fornece madeira ao mercado e alivia a pressão das matas nativas.

Inove Comunicação


Compartilhar