Por meio do cruzamento de dados de diversos estudos, Companhia mostra relação direta entre a existência de coleta de tratamento de esgoto residencial ao desempenho escolar
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A Sabesp apresentará na COP30, em Belém, a relação entre a expansão do saneamento na Bacia do Rio Pinheiros aos avanços no desempenho dos estudantes no ENEM e ao aumento do acesso ao ensino superior.
Entre 2000 e 2022, a companhia investiu R$ 17 bilhões na região, elevando a cobertura de esgoto de 82% para 95% e conectando mais de 890 mil novas economias; a análise mostra que, à medida que a infraestrutura avançou, as notas médias das escolas públicas locais cresceram de forma consistente.
recorte nacional, estudantes sem banheiro exclusivo em casa tiveram, em 2019, média geral 53,11 pontos inferior à de quem dispõe do serviço, com um fosso ainda maior na redação (-82,76 pontos).
Esses diferenciais podem decidir o ingresso em universidades públicas e programas como Sisu, ProUni e Fies.
Analisando os dados até 2024, é possível provar que maior a cobertura de esgoto numa determinada região, melhor é a nota média dos estudantes no exame.
Cobertura de Saneamento e Desempenho no ENEM por Região (2023-2024)
Região Cobertura Esgoto 2024 Cobertura Água 2024 Nota Média Redação ENEM 2023 Diferença para Sudeste Sudeste 90,2% 92,5% ~640 pontos – Sul 70,2% 89,0% ~640 pontos 0 Centro-Oeste 63,8% 90,0% ~638 pontos -2 Nordeste 51,1% 80,6% ~640 pontos 0 Norte 31,2% 61,7% ~610 pontos -30
Fontes: IBGE/Pnad (2024), INEP/Poder360 (2023)
O caso da Bacia do Rio Pinheiros será levado pela Sabesp à COP30 como modelo replicável de adaptação climática com justiça social: com 95% de cobertura já em 2019 e obras em comunidades informais entre 2019 e 2022, a região deve atingir 99% até 2027.
A apresentação destacará resultados educacionais associados à expansão do saneamento e as oportunidades de financiamento sustentável para acelerar a universalização.
Nos municípios estudados, os números ajudam a traduzir a relação entre infraestrutura e desempenho no exame. Em Taboão da Serra, a média geral (exceto redação) subiu de cerca de 470 pontos em 2010 para 500 pontos em 2019, enquanto a redação avançou de ~485 para 560 pontos; no período, a cobertura estimada de esgoto passou de 88% para 95%.
Em Embu das Artes, a média geral evoluiu de ~465 para 495 pontos entre 2010 e 2019 e a redação de ~480 para 558 pontos, com a cobertura estimada de 85% para 92%. Nas duas cidades, a correlação estimada indica que cada ponto percentual adicional de cobertura de esgoto se associa a cerca de 4,3 pontos a mais na média geral do ENEM e entre 10,7 e 11,1 pontos na redação.
Evolução das Notas Médias no ENEM – Taboão da Serra (Escolas Públicas Estaduais)
Ano Média Geral (exceto redação) Média Redação Cobertura Esgoto (estimada) Crescimento Acumulado
2010 ~470 pts ~485 pts 88% – 2012 ~475 pts ~495 pts 90% +5 pts / +10 pts 2014 ~480 pts ~505 pts 92% +10 pts / +20 pts 2016 ~490 pts ~535 pts 93% +20 pts / +50 pts 2018 ~498 pts ~555 pts 94% +28 pts / +70 pts 2019 500 pts 560 pts 95% +30 pts / +75 pts
Fontes: QEdu/INEP (2019 confirmado), estimativas conservadoras para anos anteriores baseadas em padrões de crescimento
O estudo também compara a trajetória da Bacia com a média nacional: entre 2010 e 2019, o crescimento da nota geral do ENEM na região superou em 50% o avanço do país, e o ganho em redação foi 52% maior.
O período coincidiu com o salto de sete pontos percentuais na cobertura de esgoto na Bacia, acima dos cinco pontos observados no Brasil.
A análise nacional reforça o papel do saneamento para o desempenho no exame: em 2019, estudantes com banheiro em casa tiveram médias superiores em todas as áreas do ENEM, com destaque para a redação (588,92 contra 506,16 pontos).
Em termos gerais, a diferença de 53,11 pontos na média pode significar a perda de uma vaga na universidade.
Comparação de Crescimento 2010-2019
Indicador Taboão da Serra Embu das Artes Média Bacia Brasil (média) Vantagem Bacia Crescimento Média Geral +30 pts (+6,4%) +30 pts (+6,5%) +30 pts (+6,5%) +20 pts (+4,2%) +10 pts Crescimento Redação +75 pts (+15,5%) +78 pts (+16,3%) +76 pts (+15,9%) +50 pts (+9,5%) +26 pts Crescimento Cobertura Esgoto +7 p.p. +7 p.p. +7 p.p. +5 p.p. +2 p.p.
Fontes: QEdu/INEP, IBGE/Pnad, Trata Brasil – Ex Ante Consultoria
Com foco no futuro, a Sabesp assumiu o compromisso de universalizar o saneamento na Região Metropolitana de São Paulo até 2029, cinco anos antes do prazo legal.
O plano prevê R$ 70 bilhões em investimentos entre 2024 e 2029, com expansão de redes, ampliação de estações de tratamento, modernização do abastecimento e instalação de Unidades de Recuperação de Água em áreas vulneráveis.
Projeções indicam que, com a universalização, a nota média geral do ENEM pode subir gradualmente até 2040, enquanto o déficit associado à falta de saneamento se reduziria de 53 para 15 pontos.
O relatório também quantifica retorno socioeconômico: entre 2000 e 2022, os investimentos na Bacia geraram R$ 25 bilhões em benefícios totais, com ganho líquido de R$ 8 bilhões, e apontam efeitos distributivos relevantes, sobretudo para mulheres — mais expostas aos efeitos da falta de saneamento e, portanto, mais beneficiadas quando ele chega.
“Levar saneamento onde ele não existia muda a rotina das famílias e a trajetória escolar dos jovens. Na prática, isso significa transformar ausências em presença, reduzir perdas de aprendizado e melhorar as notas no ENEM, que é a porta de entrada para a universidade”, afirma Rachel Sampaio, diretora de Sustentabilidade da Sabesp.
“Quando um território salta de 82% para 95% de cobertura de esgoto e as médias do ENEM avançam, estamos vendo uma política pública que gera saúde, qualidade de vida e oportunidade. A COP30 é o espaço para mostrar como essa equação pode ser replicada em outras metrópoles brasileiras e latino-americanas”, diz Rachel.
“Universalizar o saneamento até 2029 é um compromisso com a justiça climática e com a educação. Em um cenário de eventos extremos, garantir água e esgoto é também garantir tempo de estudo, presença em sala e desempenho melhor. Essa base prepara a próxima geração para as carreiras que vão desenhar soluções climáticas”, conclui Sampaio.
Sobre a apresentação na COP30 – O caso da Bacia do Rio Pinheiros será detalhado em novembro de 2025, em Belém, com ênfase no vínculo entre infraestrutura sanitária, redução de emissões e desempenho acadêmico, incluindo caminhos de blended finance para acelerar a expansão em áreas vulneráveis.
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