Será que a fisioterapia pode potencializar sua performance no trabalho?

8 de abril de 2022 Off Por Ray Santos
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Por Claudio Cotter *

“Ergonomia” e “ginástica laboral” eram termos comuns quando se pensava em fisioterapia dentro das empresas, assim como ““Choquinho” para dor, protocolos repetitivos de exercícios direcionados para grupos de pessoas com diagnósticos parecidos nas clínicas e tratamentos nada personalizados, este pode ter sido o cenário da fisioterapia que você conheceu por alguns anos, mas é um cenário que para muitos já faz parte do passado.

A abordagem biopsicossocial extrapolou todas as áreas de conhecimento e não poderia ser diferente com a fisioterapia! Embasado em conhecimento de diversas áreas, como a antropologia, neurociência e epigenética, hoje tratamos de questões profundas, que envolvem mudança de padrões de comportamento para curar dores crônicas, que acompanham as pessoas por longos anos.

É importante salientar, que apesar de muitas pessoas acharem que conviver com dores seja um aspecto natural da vida, na verdade não é! Dores crônicas, são registros que ficam no nosso corpo em forma de memória, muitas vezes já não existe lesão tecidual e as dores permanecem por anos, pelo simples fato de ter sido gerada por um trauma físico ou psíquico muito intenso ou por repetição de maus hábitos, que podem ser desde hábitos alimentares até de postura ou movimentação, passando ainda por padrões de comportamento ligados à personalidade, que podem ser trabalhados a partir de processos de conscientização e hábitos angulares.

Mas o que isso tem a ver com sua performance no trabalho?

Tudo!! Os hábitos angulares, são pequenos hábitos positivos, que podemos cultivar durante o dia, os quais organizam o ambiente e por consequência influenciam todas as nossas ações sem necessariamente estejamos conscientes disso. Diversos estudos mostram que crianças que arrumam suas camas tendem a tirar melhores notas na escola, assim como é fácil perceber que pessoas que organizam melhor suas agendas são mais produtivas, tanto na vida pessoal, como no trabalho. Além disso, em ambientes de trabalho mais organizados os funcionários de empresas tendem a serem mais produtivos.

Tomar consciência destes padrões de comportamento já é um começo, diversos estudos mostram que apenas por entrar em contato com a informação e perceber que determinado hábito gera uma doença já é suficiente para que muitas pessoas mudem de comportamento. Esta é a base de programas, como o Vigilantes do peso, que perceberam que ao anotar tudo que comem as pessoas normalmente começam a emagrecer por perceber que realmente estão comendo em excesso.

São inúmeros os casos de pacientes que se apresentam nas clínicas com queixas de dores crônicas, as quais os impedem de produzir tudo o que poderiam no trabalho, muitas vezes levando a decisões até mesmo de mudança de trabalho com menor remuneração, pois não possuíam condições físicas de lidar com tanto estresse no ambiente de trabalho anterior.

A fisioterapia hoje funciona como um potencializador do seu corpo para lidar melhor com o estresse do mundo corporativo. Pensando no físico, alguns hábitos simples como girar a coluna quando muito tempo na frente do computador ou mudar de postura trabalhando no computador parte do dia em pé em uma bancada mais alta, podem ser os fatores primordiais para chegar na terceira idade com uma coluna saudável. Compensar as horas sentado com movimentos de qualidade, atividades voltadas não só a condicionar o corpo, mas também a diversificar movimentos, pode ser o grande segredo para aumentar a adaptabilidade do seu corpo para aguentar rotinas de estresse no trabalho. Claro que isto tudo não elimina a necessidade de, em certos casos, tratamentos psicológicos, mas um corpo resiliente é capaz de aumentar a autoconfiança e mudar o comportamento de uma pessoa, de uma empresa e até mesmo de um país.

Claudio Cotter * é fisioterapeuta com formação no Método Busquet e pós graduado em Medicina Psicossomática.


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