Simone Tebet questiona rebaixamento de fábrica de fertilizantes UFN3 a misturadora de insumos

11 de março de 2022 Off Por Ray Santos
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A senadora Simone Tebet (MDB-MS) pediu informações ao Ministério de Minas e Energia e à Petrobras sobre os impactos da transformação da fábrica de fertilizantes (UFN3) em Três Lagoas, MS, em “mera misturadora”.

Para ela, tal decisão “é inconcebível. É falta de planejamento estratégico, é falta de bom senso, é falta até de humanidade com o povo brasileiro, que está passando fome”. 

Simone lembrou da alta dependência de importação de fertilizantes pelo Brasil (85%).

Ressaltou que o produto é essencial para o aumento da produção de alimentos e o barateamento da comida na mesa do brasileiro. Agora, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, a situação fica ainda pior.

“A guerra está produzindo um rearranjo das relações geoeconômicas. Estamos falando de uma grande potência, a maior exportadora de petróleo, uma das maiores de fertilizantes. E o Brasil, que é um dos maiores exportadores do mundo de grãos, ainda não é autossuficiente naquele insumo tão necessário para a nossa lavoura, para diminuir o preço dos alimentos, para que a gente tenha mais comida na mesa do trabalhador brasileiro”, alertou.

Nesta semana, a senadora apresentou um requerimento de informações à Petrobras, via Ministério de Minas e Energia, no qual afirma que a decisão (de transformar a fábrica de fertilizantes em misturadora de insumos) “desvirtua a eficiência do gasto público, prejudica o agronegócio brasileiro, impacta severamente o investimento de capital e de tecnologia de ponta, bem como aumenta a dependência de importação de fertilizantes com reflexos no custo da comida que chega ao prato do povo brasileiro”.

Ela pediu esclarecimentos sobre as medidas a serem adotadas quanto à perspectiva de investimentos na produção de fertilizantes no país, especialmente, sobre a venda da UFN-3 para o grupo russo Acron.

O requerimento de informações de autoria de Simone Tebet recebeu o apoiamento de diversos senadores. 

Em discurso no Plenário do Senado, a senadora Simone alertou: “A maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina, que é nosso patrimônio, está sendo vendida para uma empresa russa, não para produzir fertilizantes no Brasil, mas para misturar o fertilizante da Rússia.

É inconcebível. É falta de planejamento estratégico, é falta de bom senso, é falta até de humanidade com o povo brasileiro, que está passando fome. Alguém tem que dar uma explicação sobre isso”.

Ela disse que ao invés de buscar a autossuficiência, a Petrobras vendeu a fábrica para a Acron sem ter colocado como cláusula condicionante a produção de fertilizantes nitrogenados no Brasil.

“A Petrobras vendeu, e vendeu mal. Vendeu para uma empresa Russa que não vai cumprir com o objetivo de nos tornar autossuficientes em fertilizantes”.

Na sexta-feira passada (4), a senadora havia se encontrado com o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna e diretores da empresa, no Rio de Janeiro, para fazer o alerta sobre a falta de garantia no contrato que está sendo firmado com a Acron.

Ela sugere que a Petrobras assuma finalização da obra – já em mais de 80% concluída – e depois venda para outro grupo, que realmente se comprometa a produzir fertilizantes no Brasil para, de fato, reduzir a nossa dependência estrangeira.

Simone manifestou preocupação com a possível falta de fertilizantes para a próxima safra de outubro, novembro e dezembro.

Luta de 12 anos         Simone Tebet lembrou que enquanto prefeita de Três Lagoas, em 2010, doou uma área de 50 hectares para a construção da fábrica.

Na época, a expectativa era de que tal fábrica produziria fertilizantes hidrogenados a ponto de reduzir em até 50% a necessidade de importação do produto pelo Brasil, gerando grande economia no custo de produção de alimentos.

A obra começou em 2011, mas foi paralisada após as denúncias do Petrolão. Com a crise, a Petrobras optou por desinvestir e retirou a produção de fertilizantes de suas prioridades.

Depois de muitas idas e vindas, o negócio está sendo firmado com o grupo Russo Acron para a retomada das obras.

Esse processo já dura 12 anos.         

A senadora relatou que após três leilões, a Petrobras resolveu vender o empreendimento de Três Lagoas para a maior fábrica de fertilizantes da Rússia.

“Para quê? Não é para fertilizante no Brasil. É para fazer misturadora com fertilizantes da Rússia, ou seja, nós estamos entregando um patrimônio nacional, dinheiro público que foi investido, nosso, para continuar dependentes da Rússia, de fertilizantes. Ou alguém acha que o Presidente Putin vai autorizar a maior fábrica dele a fazer fertilizantes no Brasil? Até porque não está no contrato dela”, alertou.

Em notícias veiculadas na imprensa, o governo confirmou que a fábrica será rebaixada a misturadora de insumos temporariamente, mas ainda não tem informações de por quanto tempo.

A produção de fertilizantes será prejudicada também pela queda da distribuição de gás natural pela Bolívia ao Brasil.

NOTAS.RÁDIO .MS


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