
Com novas barreiras comerciais e disputa global por investimentos, empresários passam a avaliar operações nos Estados Unidos para preservar acesso ao mercado e reduzir riscos
O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos importados e o endurecimento da política comercial do governo Donald Trump começam a produzir um efeito que vai além das exportações.
Em vez de enxergar o mercado americano apenas como destino para seus produtos, empresas brasileiras passaram a avaliar a abertura de operações em território norte-americano como forma de reduzir riscos comerciais, manter acesso ao maior mercado consumidor do mundo e ampliar sua competitividade.
O movimento ocorre em um momento em que a disputa global por investimentos se intensifica. Enquanto os Estados Unidos reforçam o interesse em atrair empresas e capital estrangeiro para produzir localmente, a Comissão Europeia anunciou um pacote de simplificação regulatória e tributária para reduzir a burocracia e recuperar a competitividade do bloco. Os dois movimentos evidenciam uma corrida entre as maiores economias do mundo para atrair investimentos produtivos, inovação e geração de empregos.
Para Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, fundador da Toledo e sócio da LeeToledo PLLC, o cenário exige que empresários brasileiros mudem a forma de interpretar o tarifaço.
“O aumento das tarifas costuma ser visto apenas como um obstáculo para as exportações, mas existe uma segunda leitura. Os Estados Unidos continuam interessados em receber empresas estrangeiras, desde que elas invistam, produzam e gerem empregos dentro do país. Essa lógica está alinhada à política econômica americana e deve influenciar a estratégia de internacionalização de muitas empresas brasileiras”, afirma.
Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), os Estados Unidos seguem como a maior economia do mundo, com Produto Interno Bruto superior a US$30 trilhões.
O país concentra parte relevante dos investimentos globais em tecnologia, inteligência artificial, indústria, mercado financeiro e inovação, fatores que continuam atraindo empresas interessadas em expandir operações.
A internacionalização deixa de ser opção e passa a fazer parte da estratégia
Mais do que uma resposta pontual ao tarifaço, a internacionalização tende a ganhar espaço como ferramenta de gestão de risco.
Para empresas que dependem do mercado americano, estruturar parte da operação nos Estados Unidos pode reduzir a exposição a mudanças tarifárias, aproximar a produção do consumidor final e aumentar a previsibilidade dos negócios.
Na avaliação de Toledo, o atual cenário marca uma mudança de paradigma para empresários brasileiros.
“Durante muitos anos, a internacionalização era vista como uma etapa natural do crescimento das empresas. Agora ela passa a integrar a estratégia de gestão de risco. O empresário precisa olhar para a geopolítica, para as mudanças regulatórias e para as cadeias globais de produção com a mesma atenção que dedica às finanças da empresa.”
Segundo ele, essa lógica já faz parte da estratégia de grandes grupos internacionais e tende a se tornar mais comum entre empresas brasileiras de médio porte.
“Quem pretende manter presença consistente no mercado americano passa a avaliar alternativas além da exportação tradicional. Em muitos casos, produzir localmente ou estabelecer uma operação permanente pode significar mais previsibilidade do que depender exclusivamente do comércio internacional.”
Europa tenta recuperar competitividade
Enquanto os Estados Unidos reforçam políticas voltadas para atração de investimentos produtivos, a União Europeia trabalha para tornar seu ambiente de negócios mais competitivo.
Recentemente, a Comissão Europeia apresentou um pacote de simplificação regulatória e tributária com o objetivo de reduzir custos administrativos, facilitar investimentos privados e estimular o crescimento das empresas instaladas no bloco.
Para Toledo, a iniciativa demonstra que a disputa entre as grandes economias já não acontece apenas no comércio exterior. “Hoje existe uma competição global por empresas, investimentos, inovação e talentos.
Países que conseguem oferecer segurança jurídica, ambiente regulatório eficiente, acesso a capital e estabilidade econômica tendem a atrair mais negócios.
A internacionalização das empresas deixou de ser apenas uma decisão empresarial e passou a fazer parte da estratégia econômica dos próprios governos.”
Na avaliação do advogado, o novo cenário exige planejamento de longo prazo por parte dos empresários brasileiros interessados em expandir operações internacionais.
Segundo ele, a abertura de uma empresa no exterior não deve ser encarada apenas como uma alternativa para reduzir custos ou superar barreiras comerciais, mas como uma decisão estratégica capaz de ampliar mercados, proteger patrimônio e diversificar riscos.
“O tarifaço pode acelerar decisões que talvez levassem anos para acontecer. Empresas que estruturam sua internacionalização de forma planejada conseguem acessar novos mercados, reduzir vulnerabilidades e criar operações mais resilientes diante de mudanças políticas e econômicas.”
Toledo ressalta que esse movimento pode beneficiar setores como agronegócio, indústria, tecnologia, saúde e serviços especializados, que tradicionalmente mantêm forte relação comercial com os Estados Unidos.
Nesses casos, estruturas jurídicas voltadas à expansão internacional e vistos empresariais, como L-1, EB-2 NIW, E-2 e EB-5, podem fazer parte do planejamento para implantação de operações em território americano.
Para o especialista, a reorganização das cadeias globais de produção tende a intensificar esse processo nos próximos anos.
“As tarifas podem mudar conforme o governo ou o cenário econômico. O que permanece é a necessidade das empresas de estarem próximas dos seus principais mercados consumidores. A internacionalização deixou de ser apenas uma oportunidade de crescimento e passou a ser um instrumento de competitividade”, conclui.
Sobre Daniel Toledo
Daniel Toledo é advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC.
Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente.
Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford – Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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Sobre a Toledo e Advogados Associados
O escritório Toledo e Advogados Associados é especializado em direito internacional, imigração, investimentos e negócios internacionais.
Atua há mais de 20 anos com foco na orientação de indivíduos e empresas em seus processos.
Cada caso é analisado em detalhes, e elaborado de forma eficaz, através de um time de profissionais especializados. Para melhor atender aos clientes, a empresa disponibiliza unidades em São Paulo, Santos e Houston.
A equipe é composta por advogados, parceiros internacionais, economistas e contadores no Brasil, Estados Unidos e Portugal que ajudam a alcançar o objetivo dos clientes atendidos.
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Carolina Lara
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