De acordo com a polícia, mulher de 19 anos organizava esconderijos e logística de armas para o grupo
Keyla Santos, Heloisa Duim – 10/10/2026 – 10:49 – Tiroteio em Sidrolândia. (Mateus Andrade, Midiamax)
O grupo suspeito de envolvimento em atentados criminosos em Mato Grosso do Sul migrava entre cidades para dificultar o trabalho policial e se esconder após os ataques. Segundo Cleyton da Silva Santos, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, os investigados alugavam imóveis nos municípios onde pretendiam agir e, depois dos crimes, utilizavam as casas como esconderijos.
A estratégia teria sido organizada por Vanessa Thiel de Almeida, de 19 anos, que morreu durante confronto com policiais na tarde de sexta-feira (9), em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande. Além dela, morreram Jonas Gabriel de Souza Sales, também de 19 anos, e dois adolescentes, de 17 e 16 anos.

“Eles chegavam na cidade de uma forma muito bem estruturada, inclusive sendo ali orquestrados pela Vanessa”, afirmou o comandante, ao explicar como o grupo agia. Segundo ele, os suspeitos alugavam uma casa, cometiam os atentados e permaneciam no imóvel antes de seguirem para outro município.
Conforme o relato policial, o grupo teria passado por cidades como Cassilândia, Maracaju, Sidrolândia e Campo Grande. A mudança constante de endereço dificultava o acompanhamento das equipes. “A gente veio monitorando eles durante um bom tempo, só que essa questão da migração acabava dificultando a nossa atuação”, declarou.
O comandante afirmou que Vanessa seria responsável pela logística dos suspeitos, incluindo a obtenção de armas e a locação de imóveis. Segundo ele, os investigados se apresentavam como um casal para facilitar o aluguel das casas.
Confronto teve disparos contra policiais
O confronto ocorreu durante uma ação do Batalhão de Choque na Rua Adolício Pereira da Silva, em Sidrolândia. As equipes foram ao endereço para cumprir mandados judiciais após receberem informações sobre a localização de investigados.
Segundo o comandante, um dos suspeitos estava armado no quintal e apontou a arma para os policiais. Durante a entrada no imóvel, outros três também teriam efetuado disparos contra os militares.
O oficial afirmou que os tiros atingiram o escudo balístico utilizado pela equipe. “Nosso escudo teve ao menos sete disparos de arma de fogo”, relatou.
Os quatro suspeitos foram desarmados e socorridos com vida ao hospital municipal, mas não resistiram aos ferimentos. A ação contou com apoio da 8ª Companhia Independente da Polícia Militar e ocorreu no âmbito da Operação Protetor, do Ministério da Justiça.
Quatro armas foram apreendidas
Durante a ocorrência, os policiais apreenderam quatro armas de fogo: dois revólveres de calibre .32, um de calibre .38 e uma pistola calibre 7,65 milímetros. Conforme o comandante, a pistola estava com Vanessa, que também teria efetuado disparos contra a equipe.
Os agentes ainda apreenderam uma motocicleta Honda Fan 125, que, segundo a polícia, era furtada, estava pintada e poderia ter sido utilizada em outros crimes. Latas de tinta spray vermelha também foram recolhidas e serão submetidas à perícia para verificar se eram utilizadas em pichações relacionadas a grupos criminosos e à demarcação de território.
Ligação com facção ainda é investigada
Apesar das suspeitas de envolvimento dos quatro em atentados e disputas territoriais relacionadas ao tráfico de drogas, o comandante ressaltou que o Batalhão de Choque não tinha confirmação sobre a filiação dos suspeitos a uma facção criminosa.
“Nós do Batalhão Choque não temos informações sobre a filiação deles a qualquer tipo de facção”, afirmou. Segundo ele, a investigação sobre possíveis vínculos com organizações criminosas está sob responsabilidade da Polícia Civil.
O comandante também mencionou suspeitas de participação de integrantes do grupo em outros crimes, incluindo homicídios e um incêndio que teria atingido uma família na região do Nova Lima, em Campo Grande. As suspeitas deverão ser apuradas pelas autoridades responsáveis.
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(Revisão: Nichole Munaro)
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