
O resultado das urnas no último domingo deixou o Brasil mais perto de uma perigosa ruptura democrática e do desmonte dos direitos humanos e da proteção ambiental.
Foi um baque tremendo para aqueles que querem a floresta em pé, as cidades protegidas e os direitos assegurados.
No Legislativo o quadro já está definido e o que vem pela frente é o acirramento da hostilidade de senadores e deputados contra as pautas da agenda ambiental e climática, como mostra levantamento do Observatório do Clima.
Para o mais alto cargo da República brasileira, o cenário ainda está em aberto. De um lado, um candidato que, embora desgastado, representa a possibilidade de continuidade da democracia e da soberania nacional. De outro, um adversário cuja eleição representaria o colapso da Amazônia, o desmonte da proteção aos nossos biomas e o abandono de todos os avanços obtidos pelo país na agenda climática nos últimos anos. Flávio Bolsonaro é um mentiroso crônico, como revela o Fakebook, plataforma do Observatório do Clima de combate às fake news ambientais que voltou a ser necessária.
Como senador, acumula ataques ao meio ambiente e aos povos e comunidades tradicionais – ele votou pela flexibilização do licenciamento ambiental, foi contra direitos indígenas ao se posicionar a favor do Marco Temporal, tentou emplacar um projeto de lei que legalizava todo o desmatamento em propriedades privadas e outro para privatizar as praias do país.
Foi o único dos 81 membros da Casa a votar contra a lei de adaptação climática em 2024. Como sucessor do projeto político da extrema direita, já deixou claro que vai seguir à risca a cartilha ecocida de seu pai, que nos legou o maior conjunto de retrocessos socioambientais e humanitários da história.
Flávio Bolsonaro, com sua longa ficha corrida de suspeitas, seria o homem errado no lugar errado em qualquer cargo público. Mas é difícil imaginar alguém pior para conduzir o Brasil nos próximos anos, em que o mundo ultrapassará 1,5ºC de aquecimento e extremos climáticos mortíferos como a seca da Amazônia e as enchentes do Rio Grande do Sul de 2024 virarão lugar-comum. Ainda dá tempo! No dia 25, o povo brasileiro precisa impedir que o pior aconteça.
A escolha não é difícil. Boa leitura!
Flávio Bolsonaro mente e exagera sobre ambiente
Candidato já disse que a Terra está esfriando, que EUA são ricos porque desmataram e que Brasil tem áreas protegidas demais
A prática da distorção de dados, exageros e mentiras tem sido recorrente nos discursos de Flávio Bolsonaro, em diferentes temas.
Com o meio ambiente não é diferente: nas poucas vezes que falou sobre o assunto, disparou sua metralhadora de “fatos alternativos”, assim como seu pai, Jair, costumava fazer.
Ao longo de sua carreira política, o candidato acumulou uma lista de afirmações que distorcem evidências científicas, selecionam apenas os dados que favorecem seu discurso, exageram informações ou simplesmente faltam com a verdade.
O último disparate – da semana – foi que o Brasil teve mais queimadas nos governos do PT, afirmação repostada pelo candidato que estrategicamente desconsiderou o impacto do El Niño nos números e tampouco levou em conta os dados de desmatamento.
Para combater a desinformação ambiental e dar uma chance ao eleitor de saber o que o candidato fala e pensa a respeito dos temas, o Fakebook voltou.
Confira.
Foto: Evaristo Sá/AFP
Território hostil
Sete em cada dez parlamentares são contra meio ambiente e clima
“Está achando ruim este Congresso? Então espera o próximo, será pior. E pior, e pior”.
A frase, atribuída a Ulysses Guimarães, nunca foi tão verdadeira para a agenda ambiental e climática. Se o Congresso atual já é um desastre — o fim do licenciamento ambiental está aí pra comprovar –, o próximo será pior. Cerca de 70% dos deputados e senadores que vão compor a próxima legislatura (2027-2030) votam contra o meio ambiente e o clima, mostra análise feita pelo Observatório do Clima sobre o resultado das eleições de domingo, após o tsunami de extrema-direita que varreu o país.
O cenário é pior no Senado, onde só o PL tem um terço da Casa e 64 dos 81 senadores (79%) se posicionam contrários à agenda.
Não faça o que eu faço
Austrália e Turquia mantêm negócios com carvão às vésperas da COP
Um relatório da 350.org publicado em 4 de outubro mostra que Austrália e Turquia, países que dividem a presidência da COP31, não apenas mantêm vínculos comerciais bilaterais envolvendo carvão, mas também querem ampliar o comércio de combustíveis fósseis para incluir o gás natural liquefeito (GNL).
Desde a assinatura do Acordo de Paris, a parceria de longa data entre as duas nações no comércio de carvão já lançou 75 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.
A 350.org também critica a falta de menções explícitas à eliminação dos combustíveis fósseis nas comunicações oficiais da presidência da COP31. Nenhuma das cartas enviadas às delegações nacionais até a divulgação do relatório, nem a Agenda de Ação oficial – com dez prioridades e 50 subprioridades –, incluem sequer uma menção sobre o assunto.
Não faça o que eu faço 2
Presidência da COP31 continua se calando sobre fósseis
Como coincidência pouca é bobagem, um dia após o lançamento do relatório da 350.org, a presidência da próxima Cúpula do Clima publicou mais uma carta à comunidade internacional sem qualquer menção à necessidade de o mundo parar de explorar petróleo, carvão e gás natural se quiser mesmo combater a crise climática.
O documento coloca o financiamento, a adaptação e a resiliência entre as prioridades para novembro, junto com eletrificação, a grande aposta de Austrália e Turquia. Para Stela Herschmann, líder de política climática no Observatório do Clima, porém, a agenda não explica o que a conferência quer trazer de resultados.
“Mesmo depois de quatro cartas, as Presidências da COP31 ainda não deixaram claro o que esse encontro vai entregar de fato. Sabemos que há na mesa um pleito importante, mas ainda incompleto, de eletrificação. Isso sozinho não corrige a rota para limitar a ultrapassagem da marca de 1,5°C de aquecimento. Precisamos que o mundo se una em torno da agenda da transição para longe dos fósseis, mas não parece haver apetite para tal em nenhuma das duas presidências”, afirma.
Alô, COP31!
Pré-COP termina com demandas do Pacífico e cobrança por mais ação
Enquanto a presidência da COP31 ignora solenemente a necessidade de colocar um fim nos fósseis, países que vão participar da cúpula lutam para manter o tema em discussão.
Na pré-COP31, realizada esta semana em Fiji e Tuvalu, foi adotada a Declaração Taku Pakasoa, que pede cortes rápidos e profundos nas emissões para manter 1,5°C ao alcance, mais financiamento climático, atenção aos oceanos e, claro, a transição para longe dos combustíveis fósseis.
O encontro teve baixa participação: cerca de 30 países, com poucos líderes de fora do Pacífico.
Transição, só que não
Brasil expande área de exploração de petróleo com novos leilões
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ampliou nesta quarta-feira (7) as áreas disponíveis para exploração de petróleo e gás no país, com 59 arremates em dois leilões.
A Petrobras liderou as aquisições, com 21 blocos, incluindo sete na Bacia do Ceará, na Margem Equatorial, em parceria com a QatarEnergy. Segundo o Instituto ARAYARA, se todo petróleo encontrado nas novas áreas for explorado, as emissões de CO2 podem chegar a 403 milhões de toneladas.
disso, ao menos 20 blocos, como os da Bacia do Parnaíba, poderão usar o método de fraturamento hidráulico (fracking).
Para o Observatório do Clima, os leilões da ANP desprezam a emergência climática.
Where is the money?
Mundo precisa quase triplicar investimentos em renováveis até 2030
Os países precisam investir, em média, US$ 1,7 trilhão por ano até 2030 para alcançar a meta de triplicar a capacidade de energia renovável estabelecida na COP28, segundo relatório da Irena (Agência Internacional de Energia Renovável) publicado na última semana.
O valor é quase três vezes superior aos US$ 625 bilhões investidos no setor em 2025. O relatório também aponta que 93 das 120 NDCs, metas climáticas nacionais, dependem total ou parcialmente de apoio internacional para serem cumpridas.
Na playlist
O Coletivo Zero e o podcast Medo e Delírio em Brasília fizeram um campeonato de jingles políticos.
A final é amanhã, mas no site do campeonato estão as 87 canções pré-selecionadas – uma delas da nossa banda apocalíptica favorita.
A página também traz um link para ouvir o hit desta eleição.
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