Celulose, bioenergia, soja, milho, proteína animal, amendoim e laranja revelam um campo mais diversificado, tecnológico e integrado à indústria em Mato Grosso do Sul
O agro de Mato Grosso do Sul já não cabe apenas na imagem das grandes lavouras de soja e milho ou do gado espalhado pelas pastagens. Do campo continuam saindo grãos, carne e matéria-prima, mas uma parcela cada vez maior dessa produção percorre outro caminho antes de deixar o Estado: entra em fábricas, movimenta novas cadeias produtivas e se transforma em combustível, energia, óleo, farelo, ração, celulose, couro e uma variedade crescente de produtos.
Ao mesmo tempo, culturas que há poucos anos tinham participação limitada na economia sul-mato-grossense começam a ganhar escala. O amendoim colocou o Estado na segunda posição entre os produtores brasileiros na safra 2024/25, com mais de 56 mil toneladas. A laranja abriu uma nova fronteira agrícola que se aproximava de 35 mil hectares plantados em maio de 2026.
É a diversificação de um agro que continua apoiado em algumas de suas grandes vocações históricas, mas acrescenta novas atividades e, sobretudo, procura transformar dentro do próprio Estado uma parcela maior daquilo que produz.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, essa mudança de perfil está diretamente relacionada ao avanço da tecnologia, da produtividade e da agroindustrialização.
“Mostramos que é possível produzir mais e, ao mesmo tempo, preservar. Fizemos da tecnologia uma grande aliada para aumentar a produtividade. A indústria não chegou para disputar espaço com o produtor rural. Pelo contrário, ela agregou valor aos nossos produtos e abriu novos mercados”, afirma.
Do grão ao combustível, da floresta à indústria
A soja ajuda a compreender essa transformação. Além de ser comercializada como grão, entra em cadeias que produzem óleo, farelo e ração animal. O milho, por sua vez, deixou de ter como destino apenas a alimentação e a exportação e ganhou importância como matéria-prima para a fabricação de etanol.
A cana-de-açúcar completa essa estrutura com açúcar, etanol, bioeletricidade e outros derivados.
Mato Grosso do Sul possui atualmente 22 usinas de bioenergia em operação. O setor produz mais de 4 bilhões de litros de etanol por ano e passou a integrar cana e milho em uma cadeia que também avança sobre biogás e biometano.
É um exemplo claro de como a agroindustrialização modifica o valor econômico de uma safra: em vez de simplesmente transportar a matéria-prima para outros mercados, parte dela passa por transformação industrial ainda em território sul-mato-grossense.
O movimento se repete na cadeia florestal.
Em Ribas do Rio Pardo funciona a maior linha única de produção de celulose do mundo. A fábrica da Suzano possui capacidade instalada para produzir 2,55 milhões de toneladas por ano e nasceu de um investimento superior a R$ 22 bilhões.
Ao redor da celulose surge ainda uma cadeia de fornecedores, logística, energia e serviços. Em Três Lagoas, por exemplo, novos investimentos vêm sendo atraídos justamente para fornecer produtos utilizados pelas próprias fábricas de celulose instaladas na região.
É esse encadeamento que amplia o impacto do agro para além da porteira.
Novas culturas entram no mapa
A diversificação aparece com ainda mais clareza quando se observa o avanço de culturas que não faziam parte, em grande escala, da paisagem agrícola tradicional de Mato Grosso do Sul.
O amendoim é uma delas.
Na safra 2024/25, a produção estadual ultrapassou 56 mil toneladas, crescimento de 176,37% em relação ao ciclo anterior, levando Mato Grosso do Sul à segunda posição nacional. O crescimento já começa a atrair a etapa seguinte da cadeia: uma indústria de beneficiamento de R$ 30 milhões está prevista para Nova Alvorada do Sul.
A citricultura segue trajetória semelhante.
Mato Grosso do Sul se aproxima de 35 mil hectares de laranja plantados e passa a ser tratado como uma das novas fronteiras de expansão da citricultura brasileira. Somente em Ribas do Rio Pardo há um projeto superior a 5 mil hectares, enquanto outros investimentos avançam em diferentes municípios.
A expectativa é que o crescimento dos pomares seja seguido também pela industrialização da fruta, reproduzindo uma lógica que já ocorre com grãos, cana e florestas plantadas: produzir, processar e agregar valor dentro do Estado.
Pecuária também muda de perfil
Mesmo a pecuária, uma das atividades econômicas mais antigas de Mato Grosso do Sul, passou por transformação.
O bovino deixou de representar apenas carne. A atividade alimenta uma cadeia em que o couro abastece setores como móveis, calçados e indústria automotiva, enquanto o sebo pode ser utilizado na fabricação de biodiesel.
Ao lado dos bovinos, avançam ainda outras proteínas animais, como suínos, aves e tilápia. Investimentos recentes incluem expansões da indústria de suínos em Dourados e São Gabriel do Oeste, ampliando a capacidade de processamento instalada no Estado.
O resultado é uma estrutura em que agricultura, pecuária, energia e indústria passam a funcionar de maneira cada vez mais interligada.
Segundo os números apresentados no material, Mato Grosso do Sul reúne hoje dez grandes cadeias produtivas e mais de 8 mil agroindústrias.
Menos espaço por atividade, mais produção por hectare
É dentro dessa transformação — e não como sinal de retração do campo — que deve ser compreendida a mudança no uso das terras de Mato Grosso do Sul.
Nos últimos 15 anos, a área de pastagens passou de aproximadamente 23 milhões para 18 milhões de hectares.
Parte dessas terras deu lugar a agricultura, florestas plantadas e outras atividades produtivas.
Esse deslocamento já vinha sendo identificado há anos pelos levantamentos estaduais: a expansão agrícola ocorreu principalmente sobre áreas anteriormente utilizadas pela pecuária, simultaneamente à adoção de sistemas de produção mais intensivos.
Ou seja, diferentes cadeias passaram a dividir uma base territorial que anteriormente era muito mais concentrada na pecuária extensiva.
Também houve melhora na qualidade das áreas que continuam destinadas ao gado. Dados baseados no MapBiomas apontam que as pastagens consideradas de baixo vigor caíram de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024 — redução aproximada de 52%.
É nesse sentido que Riedel associa o novo perfil do agro a produtividade e tecnologia.
“Muito antes de ser governador, a gente trouxe aqui para a nossa empresa um modelo que envolve alta produtividade, tecnologia, eficiência e sustentabilidade. E esses conceitos dão uma dimensão do agro em todo o Estado do Mato Grosso do Sul”, afirma.
Preservação entra na equação econômica
O crescimento da produção convive também com uma discussão cada vez mais presente dentro das propriedades: como transformar preservação ambiental em parte da própria economia rural.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, afirma que mais de 300 mil hectares foram regenerados no Estado, em sua maioria dentro de propriedades privadas.
Para o produtor rural Leonardo Leite de Barros, políticas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) representam uma mudança importante porque atribuem valor econômico à preservação.
“Quando vem o governo e traz uma política pública de primeiro mundo, dizendo: ‘olha, nós estamos reconhecendo que vocês preservaram esse bioma que é tão importante para a humanidade e vocês, portanto, vão receber um dinheiro por essa preservação’, eu acho que é um reconhecimento muito maior do que a questão monetária”, afirma.
A lógica é acrescentar uma nova possibilidade à renda rural: além de receber pelo que produz, o proprietário também pode ser remunerado por serviços ambientais prestados pela conservação de determinadas áreas.
Irrigação e carbono aparecem como próxima fronteira
Para um eventual segundo mandato, Riedel coloca entre seus compromissos ampliar essa transformação por duas frentes: irrigação e valorização econômica da preservação.
O governador afirma que pretende estruturar um grande projeto de incentivo à irrigação, com objetivo de aumentar a segurança hídrica e reduzir a vulnerabilidade da produção às oscilações climáticas.
Também propõe ampliar os mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais e associá-los às oportunidades abertas pelo mercado de carbono.
“Pelo PSA, vamos valorizar ainda mais quem preserva, ampliando a renda do produtor com o crédito de carbono. É esse o futuro que estamos plantando”, afirma.
Depois de décadas em que boa parte da economia rural sul-mato-grossense esteve concentrada em poucas atividades, o campo passa, portanto, por uma mudança de escala e de perfil.
O boi continua importante. A soja e o milho continuam entre as grandes forças da produção. Mas ao redor deles cresceram a celulose, o etanol de milho, a bioenergia, a piscicultura, a suinocultura e novas culturas como amendoim e laranja.
Mais do que substituir uma atividade por outra, a transformação está em multiplicar o que Mato Grosso do Sul consegue produzir a partir de sua terra — e quanto valor consegue acrescentar a essa produção antes que ela atravesse suas fronteiras.
Assessoria de Imprensa | Eduardo Riedel
Federação União Progressista
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