Usada na rede municipal de São Paulo, tecnologia transforma exercícios de reabilitação em atividades interativas e acelera a recuperação dos movimentos
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Por Prefeitura de São Paulo – 24/04/2026 15h25 Atualizado há 2 dias
Com ajuda da terapia robótica, em pouco mais de um ano do AVC a dona de casa Diana Gomes de Souza já apresenta avanços significativos na recuperação dos movimentos — Foto: JFDiorio/Pref/SP/Divulgação
Um dos principais responsáveis pela incapacidade funcional em adultos no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ainda faz com que familiares se perguntem se é possível recuperar o que foi perdido. Na rede pública de São Paulo, parte dessa resposta está ganhando novas possibilidades com a ajuda de um robô.
Nos Centros Especializados de Reabilitação (CERs) da prefeitura, uma tecnologia que combina robótica e lógica de videogame vem sendo usada no tratamento de pacientes que perderam movimentos após um AVC. O recurso não substitui as terapias tradicionais, mas potencializa a reabilitação ao tornar os exercícios necessários mais dinâmicos, personalizados e intensivos – fatores decisivos para a recuperação dos gestos físicos.
Como o robô atua na reabilitação
O equipamento portátil desenvolvido no Brasil, chamado Assistive Rehabilitation Machine (ARM), atua principalmente na recuperação dos membros superiores, uma das áreas mais comumente afetadas pelo AVC.
Durante as sessões, o paciente posiciona o braço em uma manopla acoplada ao robô e interage com atividades exibidas em tela. As tarefas simulam situações do cotidiano – como lançar objetos ou organizar uma refeição –, mas funcionam como exercícios terapêuticos guiados, com monitoramento em tempo real de dados como força, velocidade, trajetória e precisão.
A proposta é transformar exercícios repetitivos, essenciais para o reaprendizado motor, em atividades mais estimulantes. Isso favorece a adesão ao tratamento e amplia o volume de repetições, questão fundamental para impulsionar a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de se reorganizar para recuperar funções perdidas.
No início, o dispositivo pode causar estranhamento. Foi o que aconteceu com a dona de casa Diana Gomes de Souza, de 47 anos, após sofrer um AVC em setembro de 2024.
– Olhei esse robozinho e achei que não ia me reabilitar –, relembra. Um ano depois, a percepção mudou, assim como a rotina.
– Já até voltei a cozinhar e me coçar sozinha. Isso me dá mais esperança.
Além da terapia, ela também conta com acompanhamento psicológico e recebeu equipamentos como cadeira de rodas, bengala e bota ortopédica.
História semelhante vive o frentista Murilo da Silva Santos, de 37 anos. Encaminhado ao Centro de Reabilitação após um AVC, pouco mais de um ano atrás, ele também desconfiou da proposta.
– Quando cheguei no CER, achei que era só um videogame. Hoje, minha opinião é outra. Acredito que o robô ajuda bastante e eu já tomo banho e escovo os dentes sozinho –, comemora.
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Tratamento sob medida
Um dos diferenciais da terapia robótica está na personalização. Antes das sessões, o sistema analisa as condições específicas do paciente e define o grau de assistência necessário.
– O interessante do robô é a possibilidade de fazer uma avaliação inicial, verificando o quanto o paciente tem de força e precisão do movimento, para determinarmos o nível de suporte a ser oferecido na terapia –, destaca a terapeuta ocupacional Vivianne Barreto Sales, do CER IV Dr. Milton Aldred, no Grajaú. – E no final de cada sessão é gerado um relatório com o desempenho do paciente para podermos planejar os próximos passos do tratamento.
Ao longo do processo, o próprio sistema ajusta o nível de dificuldade, acompanhando a evolução clínica de cada indivíduo. Na prática, é como avançar de fase em um jogo eletrônico – com ganhos concretos na autonomia.
Demanda em alta
A robótica se insere no contexto de crescimento da demanda e da oferta pública de cuidados diferenciados pós-AVC na rede municipal. Entre 2021 e 2025, o número de atendimentos nos CERs saltou de cerca de 10,1 mil para mais de 17,6 mil – um aumento de 74%. As terapias oferecidas abrangem dimensões física, auditiva, intelectual e visual.
– Os casos de AVC têm ocorrido em idades cada vez mais jovens, reflexo de um estilo de vida marcado por estresse, má alimentação, sedentarismo e outros fatores de risco –, pontua Vivianne.
Apesar dos avanços, o tratamento robótico não atua de forma isolada. E integra um plano mais amplo de reabilitação, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia, neuropsicologia, acupuntura, hidroterapia e estímulos cognitivos, conforme a necessidade de cada paciente.
A combinação entre acompanhamento multiprofissional e tecnologias que permitem treinos intensivos, personalizados e monitorados como o ARM tem sido apontada pelos especialistas da rede como um dos caminhos mais promissores para ampliar a recuperação funcional depois do AVC. Próxima Centro TEA completa um ano com 300 mil atendimentos em São Paulo
O Globo
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