Vice-presidente dos Estados Unidos afirmam que há “pessoas dentro do governo israelense” que querem continuar guerra
Emily Rose, da Reuters, Em Jerusalém16/07/26 às 14:56 | Atualizado 16/07/26 às 14:56

O vice-presidente dos EUA, JD Vance • Photo by Doug Mills-Pool/Getty Images
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que alguns integrantes do governo israelense tentaram influenciar a opinião pública americana para que se opusesse a um acordo dos EUA destinado a encerrar a guerra com o Irã; a declaração foi feita em um episódio do podcast do apresentador Joe Rogan, publicado nesta quarta-feira (15).
Os comentários reforçaram críticas anteriores de Vance à política do governo israelense, em meio a uma crescente divergência pública entre os dois países.
Vance defendeu um acordo alcançado no mês passado para encerrar a guerra com o Irã, medida duramente criticada nos EUA e em Israel por não conter o programa de mísseis iraniano nem oferecer um caminho claro para o desmantelamento das instalações nucleares do país, ao mesmo tempo em que restringia Israel em sua guerra contra militantes do Hezbollah no Líbano.
“Sei que há pessoas dentro do governo israelense tentando, digamos, nos afastar desse acordo porque querem continuar a campanha militar”, afirmou o vice-presidente americano.
Vance disse que, embora mantenha “boas relações” com alguns membros do governo israelense, “há pessoas dentro do sistema deles que, sabemos sem sombra de dúvida, estão manipulando e tentando mudar a opinião pública americana para manter a guerra em andamento indefinidamente“.
Segundo o vice-presidente americano, muitos países, aliados e adversários, tentam influenciar a política americana e que “não me incomoda que Israel tente fazer isso; francamente, não me incomoda nem mesmo que a Rússia ou alguns desses outros países façam isso”. Ele afirmou que isso faz “simplesmente parte da natureza de ser um líder político em 2026”.
“O que me incomoda é quando essas operações, essas campanhas de influência, afetam realmente as decisões políticas americanas”, diz Vance.
Em junho, o segundo em comando de Trump criticou duramente os israelenses que se opunham ao acordo com o Irã, afirmando que Washington é o único aliado de Jerusalém — uma crítica incisiva que mencionava os bilhões de dólares em ajuda de defesa que o país recebe dos EUA.
Autoridades israelenses de alto escalão, sob condição de anonimato, afirmaram que os termos do acordo eram prejudiciais a Israel por não abordarem as preocupações em relação aos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã, uma visão que, segundo elas, é compartilhada por toda a liderança israelense.
Ao ser questionado se achava que os EUA teriam se envolvido na guerra mais recente com o Irã não fosse pela influência de Israel, Vance disse: “Sim, sim, eu acho”.
“Acho que o presidente, independentemente de qualquer influência de Israel, acredita firmemente — e, novamente, concordo com isso — que o Irã não deveria ter uma arma nuclear”, disse Vance.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
CNN Brasil
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