As estratégias do sistema intensivo de terminação para melhor qualidade da carne e maior rentabilidade

19 de julho de 2022 Off Por Ray Santos
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O incremento dos índices zootécnicos entregam melhor qualidade de carcaça e aumento da produtividade

A alta competitividade dos mercados mundiais somada à crescente demanda por alimentos vêm, cada vez mais, pressionando os produtores nacionais a entregarem um maior volume de animais e mais kg de carcaça. 

Dessa forma, o confinamento tem se tornado uma importante alternativa para a cadeia produtiva, atingindo 6 milhões de cabeças confinadas em 2021 (Beef Report ABIENC 2022). Neste cenário, o uso do sistema intensivo de terminação, permite melhorar os índices zootécnicos, aumentar o número de animais abatidos, melhorar a qualidade de carcaça e aumentar a produtividade da operação (UA/ha). 

Dada a esta intensificação dos sistemas produtivos de bovinos de corte, é necessário entender a função de cada ingrediente, sua aplicabilidade dentro do sistema e os possíveis benefícios dos mesmos, como explica Osvaldo Sousa, Zootecnista e Pesquisa e Desenvolvimento da Nutricorp: “Estratégias como a utilização de sais cálcicos de ácidos graxos (SCAG), visam aumentar ou adensar energeticamente a dieta, assim como melhorar os parâmetros de eficiência do rebanho e entregam ainda mais rentabilidade ao produtor”

Desta maneira, é importante apresentar os reais benefícios e/ou fatores que possam influenciar a utilização dos SCAG nas dietas de bovinos confinados. Com base nesse racional, foi delineado um experimento buscando um melhor entendimento da inclusão do Nutri Gordura (NG) vs. diferentes processamentos do grão de milho, tais como milho moído fino e silagem de grão úmido nos parâmetros produtivos e características de carcaça. 

Para este experimento, foram utilizados cento e cinquenta animais Nelore (PV 403,98 ± 23,82 kg), originados da mesma fazenda e desmama. Eles foram dispostos em baias (5 animais/baia) e as baias receberam 1 dos 4 tratamentos: T1= apenas milho seco moído na dieta de terminação; T2= 50% (base da matéria seca) de inclusão de silagem de grão úmido + 20% de milho seco moído na dieta de terminação; T3= apenas milho seco moído + 3,2% de SCAG (base da matéria seca) na dieta de terminação; T4= 48% (base da matéria seca) de inclusão de silagem de grão úmido + 20% de milho seco moído + 3,2% de SCAG na dieta de terminação (dados na Tabela 1). 

As dietas foram formuladas para serem isofibra fisicamente efetiva e isoproteicas. Os animais foram abatidos em frigorífico comercial após 112 dias (14 dias de adaptação e 98 dias de terminação).

Tabela 1. Composição e perfil nutricional das dietas experimentais.

ItemT1T2T3T4
Feno3.003.003.003.00
Bagaço de cana13.0013.0013.0013.00
Selagem de grão úmido de milho51.0048.00
Milho seco moído fino70.3020.0067.6020.00
Ureia0.700.700.700.70
Núcleo mineral0.980.980.980.98
Sal0.300.300.300.30
Nutri Gordura terminação3.203.20
Calcário1.001.000.400.40
Rumensin0.01250.01250.01250.0125
Perfil Nutricional    
Matéria seca84.0076.0085.0077.00
PB, %MS14.3014.2014.1014.10
FDN. %MS24.1021.1023.8020.90
EE, %MS3.003.605.506.10
peFDN13.0014.0013.0014.00
Elg, Mcal/kg de MS1.171.271.261.35

Fonte: Silvestre et al., 2022 (In press)

Como esperado houve um incremento de energia líquida de ganho (ELG) na mesma proporção do aumento do processamento do milho (grão de milho seco moído fino para silagem de grão úmido de milho) e inclusão de sais cálcicos de ácidos graxos (SCAG). 

Os animais que receberam SCAG independente do processamento do grão de milho apresentaram menor escore de rúmen (P = 0.02), refletindo em uma melhoria nos parâmetros de saúde ruminal. Além disso, os parâmetros de desempenho animal também melhoraram, resultando em um maior ganho médio diário (GMD; P = 0.01), peso vivo final (PVF; P = 0.01), eficiência alimentar (EA; P = 0.03) e peso de carcaça quente (PCQ; P = 0.02) em comparação aos animais que não receberam SCAG durante o período de terminação em confinamento. 

Adicionalmente, a inclusão de SCAG em dietas que continham silagem de grão úmido de milho como fonte de concentrado diminuiu a flutuação de ingestão de matéria seca (IMS; P = 0.01), dados apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Parâmetros de desempenho, ruminal e característica de carcaça de bovinos Nelores terminados com diferentes tipos de processamento de grãos com ou não a adição de sais de cálcio de ácidos graxos na dieta de terminação.

ItemMilho seco moídoMilho úmidoValor de P
SCAG-*SCAG+**SCAG-*SCAG+**MilhoSCAGMilho x SCAG
Peso vivo inicial, kg407.16404.21403.43403.510.30.490.58
Peso vivo final, kg563.84582.05580.95589.030.020.010.3
Peso de carcaça quente, kg309.89320.41318.99322.210.060.020.21
Rendimento de carcaça, %54.9754.9754.7654.770.250.990.95
Ganho médio diário, kg/dia1.4281.5861.5751.6480.020.010.34
Ingestão de MS, kg10.1110.169.89.620.0010.670.41
Flutuação de consumo, kg0.380a0.380a0.418b0.326a0.640.010.01
Eficiência alimentar, kg/kg de MS0.1420.1550.1610.17<0.0010.0030.39
Espessura de gordura subcutânea, mm5.576.175.956.090.430.050.21
Escore de rúmen0.970.711.110.980.010.030.47

*Sem adição de sais cálcicos de ácidos graxos (SCAG)

**Com adição de sais cálcicos de ácidos graxos (SCAG)

Os SCAG são uma fonte de energia em média 2,25x maior que carboidratos e proteínas, além de seu maior valor energético os SCAG não são fermentados no rúmen. 

Dessa forma, aliviam a fermentação ruminal e conferindo melhor manutenção da saúde ruminal quando comparados a fontes energéticas altamente degradáveis no rúmen, como por exemplo a silagem de grão úmido de milho. Sendo assim, a utilização de SCAG demonstrou ser uma excelente estratégia para adensamento energético de dietas de bovinos de corte no período de terminação em confinamento, melhorando os parâmetros de desempenho dos animais tais como GMD, PV final, EA e PCQ. 

O resultado geral foi uma maior remuneração para os produtores, fator de extrema relevância dentro do cenário atual de confinamento de bovinos de corte, onde a reposição está elevada e diárias alimentares mais caras, resultando assim em margens relativamente curtas.

Sobre a Nutricorp

A Nutricorp, empresa referência em qualidade e inovação no agronegócio, é especialista em soluções criativas em nutrição e bem-estar de bovinos de corte e leite, tendo qualidade e segurança incorporadas no seu DNA, sempre visando a satisfação de seus clientes e o cuidado com o meio-ambiente. Com mais de 20 anos de mercado, a marca sempre atuou próxima aos produtores e fábricas, atendendo suas demandas com o máximo de expertise e personalização. Pioneira em transformar coprodutos da agroindústria alimentícia em produtos inovadores e eficazes criando novas soluções com foco em nutrição animal e desempenho produtivo na cadeia de ruminantes. Como principal valor, a companhia preza por suas relações com clientes, fornecedores e colaboradores, entregando e pensando sempre na promoção do melhor e como objetivo, seu desejo é nutrir com inovação as relações na agropecuária, assegurando sabor e saúde, na fazenda e na mesa. http://www.nutricorp.com.br

Por Alessandra Fraga


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