52 vidas foram perdidas por hora em homicídios em 2021

52 vidas foram perdidas por hora em homicídios em 2021

8 de dezembro de 2023 Off Por Marco Murilo Oliveira
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Mortes pelo tipo de crime superam casos relacionados a conflitos e ao terrorismo; Brasil teve queda, mas continua entre os países mais afetados da América do Sul; África liderou em vítimas; pandemia e crime organizado impulsionaram aumento global.

Mais pessoas foram mortas vítimas de homicídios do que conflitos armados e terrorismo combinados em 2021. A média global foi de 52 vítimas por hora, revela o Estudo Global sobre Homicídios 2023 do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc.

Cerca de 440 mil casos de homicídio ocorreram em todo o mundo ao longo de 2019 a 2021. No Brasil, os números caíram, mas o país ainda representa um dos com maiores índices de homicídios na América do Sul. Após um pico de mais de 63 mil crimes em 2017, em 2021 esse número foi de 46 mil casos.

Américas e Brasil

Segundo o Unodc, durante a última década, as tendências na taxa de homicídios nas Américas são diferentes entre suas sub-regiões.

Na América do Sul, a taxa de homicídios tem apresentado uma tendência de queda desde 2017. Esse declínio é principalmente impulsionado pela redução no número anual de homicídios registrados no Brasil, o país mais populoso da sub-região. 

As tendências de homicídio variaram, com países conhecidos por altas taxas registrando quedas, e os de violência historicamente baixa, aumentos. A Colômbia teve uma pequena redução, de 25,7 vítimas por 100 mil pessoas em 2021 para 25,4 em 2022, após um aumento significativo um ano antes, com taxas mais altas em áreas onde grupos armados como as ex-Farc e o ELN estavam ativos. 

A taxa do Brasil permaneceu estável em 21,3 por 100 mil em 2021, a segunda mais baixa desde 2000, mas a violência persistiu no nordeste e norte devido a tensões entre facções de drogas. 

Foto: Unsplash/Lucas Marcomini Vista de São Paulo, Brasil.

Global

O ano se destacou como excepcionalmente letal, com a África liderando em número de vítimas, seguida pelas Américas, Ásia, Europa e Oceania. 

A taxa de homicídios nas Américas foi a mais alta, seguida por África, Oceania, Ásia e Europa. No total, a África foi responsável por 38% das vítimas, seguida pelas Américas com 34%, Ásia com 24%, Europa com 4% e Oceania com menos de 1%. 

O Brasil e a Nigéria, com apenas 6% da população mundial, contribuíram com 20% do total global de homicídios. 

Pandemia e crime organizado

Segundo o estudo, 2021 foi um ano excepcionalmente letal, com 458 mil mortes, um aumento relacionado, em parte, às consequências econômicas da Covid-19 e ao aumento da violência relacionada ao crime organizado, gangues e sociopolítica.

Os dados disponíveis para 2022 mostram que, apesar de um aumento de mais de 95% nas mortes por conflito entre 2021 e 2022, o ônus global dos homicídios foi duas vezes maior do que o ônus das mortes por conflito.

O aumento em 2021 foi atribuído a fatores como repercussões econômicas das restrições da Covid-19, violência relacionada a gangues e tensões sociopolíticas. 

Embora haja uma queda em algumas regiões em 2022, dados disponíveis indicam que a tendência homicida na África não está diminuindo. A situação é preocupante devido à vulnerabilidade da região, mantendo-se a mais jovem do mundo, com altas temperaturas e desigualdades persistentes.

Políticas preventivas

A diretora executiva da Unodc, Ghada Waly, afirma que anualmente há milhares de vidas perdidas por homicídios. Para ela, esse é um lembrete sombrio do fracasso coletivo em cumprir a promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e reduzir significativamente todas as formas de violência até 2030.

Waly adiciona que os fatores que alimentam as mortes por homicídios em todo o mundo, desde violência de gênero contra mulheres e meninas, até crimes organizados e violência de gangues, pobreza e desigualdade, mostram que não há uma abordagem única. 

A expectativa da chefe do Unodc é que o Estudo Global ajude a informar políticas preventivas baseadas em evidências e respostas para abordar as causas profundas dessa violência e salvar vidas.

ONU


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