Nordeste é a região do Brasil onde a população menos cresceu em 10 anos

Nordeste é a região do Brasil onde a população menos cresceu em 10 anos

27 de julho de 2023 Off Por Marco Murilo Oliveira
Compartilhar

Migração favorece ao crescimento desigual entre os estados, o Centro-Oeste teve crescimento de 15,86%

O Censo de 2022 mostrou que o Nordeste foi a região que menos cresceu, percentualmente, em número de habitantes em comparação ao levantamento de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O maior aumento populacional aconteceu no Centro-Oeste. A migração de pessoas do Nordeste para a região é um dos fatores que pode explicar o fenômeno entre as regiões do Brasil.

Confira o número de habitantes por região em 2010 e 2022

Nordeste cresceu 2,94%, enquanto o Centro-Oeste 15,86%

Crescimento desigual
O professor e economista Cícero Péricles enfatiza que as regiões do Brasil sofrem com o movimento desigual de crescimento populacional. “A busca de oportunidades, a possibilidade de encontrar trabalho em outro estado, de alcançar uma renda capaz de levar a família e a perspectiva de melhorar seu padrão de vida estimulam o movimento migratório de uma região para outra. O Nordeste, marcado historicamente por baixos indicadores sociais, sempre se caracterizou como região de imigração”, explica.

Péricles lembra que no primeiro Censo do Brasil, em 1872, o Nordeste concentrava 47% da população brasileira, o Centro-Oeste apenas 2% e o Sudeste 20%, mas que o cenário mudou radicalmente. Em 2023, o Nordeste tem 27% da população do país, o Centro-Oeste subiu para 8% e o Sudeste para 42%. A expansão do agronegócio do Centro-Oeste é considerada um dos motivos para a ida de milhares de trabalhadores de diferentes estados do país, incluindo os do Nordeste, para aquela região.

Oportunidade x distância da família
Juan Gomes é um desses trabalhadores. Em 2016, aos 21 anos, saiu do município de Santana do Mundaú, interior de Alagoas, e foi para o estado de Mato Grosso. Lá, foi contratado por uma produtora agrícola, onde conseguiu se qualificar, passando pela função de auxiliar de serviços gerais, lubrificador e hoje atua como mecânico. Juan só reencontra a família quando tem férias e consegue viajar, no máximo, uma vez ao ano.

“A minha maior dificuldade é estar longe da família, porque sinto muita falta do meu filho e da minha esposa. A internet nos ajuda um pouco a matar a saudade, mas é muito doloroso ficar longe de quem amamos. Pretendo continuar mais um pouco por aqui, mas quero retornar e buscar outros meios”, relata o jovem.

A situação do alagoano representa o que o professor Cícero Péricles explana sobre o impacto da migração na região de origem dos trabalhadores. “A migração retira a capacidade produtiva dos estados nordestinos e penaliza a dinâmica econômica dos pequenos municípios, que são os mais pobres”.

Soluções
Algumas soluções para o Nordeste, apontadas por Cícero Péricles, seriam desenvolver setores empregadores de mão de obra e geradores de dinâmica local, como a agricultura familiar, a construção civil e as atividades de pequenas e médias empresas vinculadas ao mundo urbano, o que aumentariam as possibilidades de emprego na região.

“A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE revela que 3 milhões de nordestinos estão desempregados, que 2,4 milhões estão no desalento, ou seja, pessoas que desistiram de procurar emprego e mais 2 milhões trabalham em tempo parcial, ou seja, estão no subemprego. São 7,4 milhões de nordestinos potencialmente candidatos à migração”, acrescentou.

Reportagem: Thiago Aquino | Agência Tatu

Edição: Graziela França e Lucas Maia | Agência Tatu


Compartilhar