“Streamings” no final de 2022: um Jogo de Tronos muito caro e com um futuro incerto

26 de outubro de 2022 Off Por Ray Santos
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No dia 10 de novembro, a Netflix Brasil lançará sua nova assinatura com anúncios. Sim, os anúncios de sempre, vinte segundos em nosso país e até trinta segundos nos Estados Unidos. Esta opção, ao preço de R$18,90/mês, tem como objetivo aumentar o número de assinantes da plataforma de streaming.

Com este passo, a Netflix apaga de sua missão corporativa um dos dogmas que definiram as origens do streaming: “A Netflix nunca terá anúncios”, reiterou Reed Hastings, CEO e fundador da empresa.

As pessoas estavam fartas do hype que sustentou o modelo de televisão linear por décadas. Os assinantes não pagariam por um serviço de televisão que os “obrigue” a assistir a comerciais. Foi o que Reed Hastings disse há apenas seis meses atrás.

A realidade refutou esta tese. Não apenas no caso da Netflix. Disney Plus e HBO Max também possuem uma assinatura mais barata, financiada em parte com publicidade.

Por que a Netflix foi forçada a ter anúncios que, segundo seu CEO, ninguém quer ver?

A resposta em menos espaço do que um tweet é que o streaming não é um bom negócio hoje. O modelo não é sustentável com tanta concorrência, e menos ainda em um momento em que a inflação está prejudicando o poder de compra das famílias em todo o mundo.Os custos de produção das séries e filmes são muito altos. A conta anual da Netflix ainda é de cerca de 20 bilhões de dólares por ano. O modelo só seria sustentável ao longo do tempo se o número de usuários continuasse crescendo e sua fidelização fosse garantida (como acontece com as assinaturas de TV a cabo). Mas a Netflix vem perdendo assinantes há dois trimestres consecutivos e perdeu 60% de sua capitalização de mercado até agora neste ano.Antes, a Netflix estava em uma batalha consigo mesma para continuar crescendo em assinantes. Agora está lutando para não perdê-los.

O que aconteceu com as plataformas de streaming em 2022?

Parece que a Netflix e o resto das plataformas de streaming têm três grandes problemas em 2022:

No modelo atual, o cliente pode cancelar a assinatura a qualquer momento. E registrar-se novamente quando bem quiser. Não existem multas nos planos mensais das grandes plataformas.

Para aumentar o número de usuários, a Netflix acostumou seus assinantes a compartilhar senhas com uma, duas ou até três pessoas. Este é um fenômeno perigoso: muitos assinantes não cancelam a inscrição para não prejudicar seus amigos e familiares.

A Netflix pretendia cortar o compartilhamento de senhas, como já testado em outros países, sem muito sucesso. Mas a tendência é que não utilize essa estratégia.

É por isso que a empresa inventou um novo assinante mais barato, para a felicidade das marcas e empresas interessadas na promoção de anúncios.

As duas premissas anteriores levam a uma terceira característica desse mercado: o usuário busca séries específicas, ele não se sente mais tão vinculado a uma plataforma.

Como estamos na primavera de 2022 como consumidores de entretenimento?

Escolhemos um ou dois serviços de streaming simultâneos baseados em séries de sucesso – os blockbusters – que estão em cada plataforma. As pessoas agora estão assistindo A Casa do Dragão na HBO Max e Os Anéis de Poder no Prime Video.

Ah, claro: E Disney Plus se você tiver filhos. Ou como você vai explicar para seus filhos que eles não podem ver Encanto ou Frozen mais uma vez? A vida já tem problemas suficientes para inventar outro.

Com tantas mudanças e concorrência acirrada, as plataformas de streaming e os usuários terão de se adaptar a novos modelos de negócio. Será o início de uma nova era, as mudanças parecem estar apenas começando.

Por Daniela Lima


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